Texto de Alberto Dinnes, publicado no Observatório da Imprensa em 16 de março, reproduzido no site do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, reflete sobre o futuro dos jornais impressos a partir do novo projeto gráfico do Estadão, lançado dia 14 deste mês. A seguir, o texto do Dinnes, que também pode ser lido nos links acima. Mais sobre o redesenho do Estadão impresso e do site aqui.
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Fim dos jornais?
Estadão confronta o apocalipse
Por Alberto Dines em 16/3/2010
Observatório da Imprensa
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O que ameaça os jornais é o avassalador avanço da internet? O perigo é efetivo, concreto, ou resulta de um pânico endógeno, auto-induzido?
A reforma visual do Estado de S.Paulo apresentada espetacularmente no domingo (14/3) suscita uma série de constatações. A mais importante: morre quem quer morrer, extingue-se quem entrega os pontos (excluem-se acidentes e fatalidades). Rejuvenescido pelos 226 dias de censura e a lembrança do seu passado de lutas, o jornalão de 135 anos envergou a fatiota nova e deu um salto à frente.
As bolhas das duas últimas décadas, artificialmente infladas pelo sistema midiático, foram produzidas por um formidável auto-engano. O fim dos jornais e revistas não foi decretado pelo Quarto Poder, mas pela indústria jornalística que não tem vocação nem compromissos de caráter institucional – quer apenas safar-se, mesmo que numa caixa de fósforos. Ao que tudo indica, estamos diante de um gigantesco factóide criado pela incontrolável criatividade do sistema produtivo seguido de uma imensa abulia dos encarregados de trombetear novidades.
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400 anos
No fim dos anos 1980 a mídia acreditou no fim da história, deixou-se embalar num triunfalismo besta, entregou-se à inexorabilidade e infalibilidade do progresso tecnológico e cruzou os braços à espera do fim da Era Gutenberg.
O que há de animador na reforma do Estadão (brevemente seguida pela da Folha de S.Paulo) é a reversão das expectativas: a imprensa (ou, se preferirem, a mídia impressa) está vivinha da silva. O portal de notícias também foi mexido, redesenhado, mas o impacto maior aconteceu no segmento que os futurólogos fashion consideravam em vias de extinção: o jornal impresso circulou com 502 mil exemplares e gerou enorme repercussão; seu portal na web continuou semi-clandestino.
Este Estadão redesenhado é um convite à leitura. A reforma foi visual e conceitual: ofereceu-se mais papel ao leitor, mais conteúdo, mais densidade – mais jornal.
Quando a Folha seduziu-se pelo modelo do USA Today no início dos anos 1980, imaginava fazer televisão no papel. Anos depois, a febre da internet levou nossa mídia impressa a mimetizar o estilo web. Raros foram os veículos que resistiram à algaravia digital.
O novo Estadão é um reencontro com a solidez e a efetividade de um veículo que existe há mais de 400 anos. Os 400 anos mais importantes da história da humanidade, testemunha imbatível das mais formidáveis mudanças tecnológicas, culturais e políticas. A entrevista de Umberto Eco no caderno "Sabático" não foi publicada casualmente, é uma tomada de posição. O jornal de Júlio Mesquita voltou a ter os pés no chão e o coração tomado por ideais.
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Lugar da concorrência
Jovens não gostam de ler em papel? Errado: jovens gostam do Facebook mas o Facebook só funciona na web. Antes das "redes sociais" os jovens adoravam os cartões da Hallmark & congêneres, serviam para dizer qualquer coisa. Jornais e revistas nunca pensaram em substituir-se a estes postais. Agora, se jornais e revistas forem suficientemente atraentes e capazes de estimular e distribuir o inigualável prazer de ler, os jovens recorrerão a eles enquanto clicam o Facebook para atender necessidades menos vitais.
Nesta primeira edição do novo-velho Estadão chamou a atenção o abandono dos carnavalescos infográficos. O gesto contém uma mensagem inequívoca: uma imagem não vale mil palavras como se apregoava bobamente. Vale o corolário: uma palavra pode valer mil imagens – atabalhoadas, desconexas, sem contexto.
Há também uma mensagem política embutida na renovação do Estadão: acabou a influência da Universidade de Navarra, do seu lobby e da sua poderosa rede de consultorias e entidades. Em outras palavras: a Opus Dei continua na esfera religiosa – que Deus a conserve lá! – mas foi alijada do comando do processo jornalístico brasileiro como vinha acontecendo há mais de duas décadas.
O Estadão demarcou-se, individuou-se. Mostrou aos concorrentes que o caminho da sobrevivência é a concorrência, a pluralidade de ofertas e não o corporativismo homogeneizador. O adversário de um grande jornal é outro grande jornal. E se os concorrentes compartilham das mesmas convicções, desatrelem-se, disputem para ver quem se destaca. O Washington Post e o New York Times jamais fizeram tabelinha durante o caso Watergate.
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Duas opções
Convém lembrar, no entanto, que a primeira edição de um novo projeto editorial serve apenas de balizamento, paradigma. A qualidade da edição inaugural do novo Estadão não garante a sua sustentabilidade. Ficou claro que muitas matérias foram elaboradas com esmero para a ocasião, o lustro festivo é perceptível. Nos próximos dias será possível avaliar se o novo desenho e o novo conceito estão amparados por uma estrutura jornalística capaz de produzir a mesma qualidade em grande quantidade.
A elegância que se filtra do novo design tornará obrigatório novo padrão de exigência no processo de seleção do material a ser publicado. Numa linda vitrine só podem ser expostos bons produtos e para cada espaço vazio num jornal é preciso dispor de, pelo menos, duas opções para preenchê-lo. Não há projeto gráfico que resista ao fechamento "no tapa", sem possibilidade de escolha.
De qualquer forma, um avanço – o fim do jornal está adiado sine die Pelo menos no Brasil.
23 março 2010
19 março 2010
Defesa de dissertação III
Daniel Barbosa Cassol defenderá a dissertação "Brasil de Fato: a imprensa popular alternativa em tempos de crise" em sessão pública no dia 8 de abril, às 14h, na Sala 3A317. A banca será composta pela professora Cecília Maria Krohling Peruzo, da UMSP, e pelos professores da UNISINOS Antonio Fausto Neto e Christa Berger (orientadora).
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(Angela Zamin)
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(Angela Zamin)
18 março 2010
Defesa de dissertação II
Grace Bender Azambuja defende a dissertação de mestrado “Jornalismo 3G reconfigurações da produção jornalística na era da mobilidade” no dia 31, às 14h, na Sala 3A317. A comissão examinadora será formada pelos professores Luciana Pellin Mielniczuk, da UFSM, Suely Dadalti Fragoso e Ronaldo Cesar Henn (orientador), ambos da UNISINOS.
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(Angela Zamin)
16 março 2010
Defesa de dissertação I
A mestranda Marina Lorenzoni Chiapinotto defende no dia 29 deste mês a dissertação “Rio Grande de Luto: uma análise das fotografias jornalísticas do acidente da TAM em diários gaúchos”. A banca examinadora será formada pelos professores Elisângela Carlosso Machado Mortari, da UFSM, Nísia Martins do Rosário e Ronaldo Cesar Henn (orientador), ambos da UNISINOS. A sessão pública de defesa inicia às 14h, na sala 3A317.
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(Angela Zamin)
05 janeiro 2010
Qualificação doutorado I
A banca de qualificação da doutoranda Angela Zamin será no dia 15 deste mês, às 15h, na sala 3A317. O projeto “Jornalismo, território e conflito: a produção do Acontecimento Fênix em jornais de referência” será examinado por banca composta pelos professores Christa Berger, José Luiz Braga e Beatriz Marocco (orientadora).
29 novembro 2009
Postperiodismo
No próximo dia 10 de dezembro, durante o I Congresso da Sociedad Latina de Comunicación Social, o doutorando Frederico Tavares, integrante do GPJor, apresenta o trabalho “La revista desde la calidad de vida: el periodismo especializado en una publicación brasileña”.
Organizado pela Sociedad Latina de Comunicación Social (SLCS), o evento contará com a participação de pesquisadores de instituições espanholas e latino-americanas em mesas de trabalho temáticas e de comunicações livres.
Em entrevista concedida por e-mail, o presidente da SLCS e coordenador-geral do Congresso, José Manuel De Pablos*, contextualiza os objetivos politicos e acadêmicos da entidade e comenta sobre o evento.
1) ¿Por qué elegir como tema del primer Congreso de la entidad el PostPeriodismo? ¿Hasta qué punto es posible decir que vivimos en una fase posterior al periodismo y no una fase de crisis de esta profesión?
El Periodismo tal y como lo vivimos hace unos años ha muerto. Lo que hay ahora tiene poco que ver con el periodismo como una actitud de servicio a la ciudadanía y se ha convertido en un negocio más, de gente que, en ocasiones, lo mismo vende alpargatas que información... como si fueran alpargatas. Hoy hay mucho trapero editando periódicos, sólo preocupados por los balances de fin de año. A veces, esos balances les dan la espalda, como sucede con determinado grupo mediático español de verdaderos 'señores de la guerra mediática' que ha querido re-conquistar las Américas y se está encontrando con una deuda de varios miles de millones de euros, que es una cantidad imposible de entender, lo que dice mucho de sus manipulaciones y maniobras político-mediáticas para demostrar a las grandes empresas, multinacionales españolas o no, que están a su servicio, de ahí sus posiciones radicales contra todo proceso de emancipación latinoamericano. Hablo de estos primeros años del siglo XXI, no de hace 200 años. Hablo de medios españoles que se han anclado en lo que la historia oficial ha denominado, por ejemplo, el 'desastre del 98’, que dio origen a la república cubana. Si lo que para unos es un desastre y para otros es un momento de gloria, alguien está alejado de la realidad, ¿no es así? O no, no está alejado de la realidad, sino construyendo una otra realidad. Por ejemplo, como han hecho durante años con el bloqueo informativo sufrido por el pueblo español desde los medios convencionales ocupados de proteger Borbonia. Son los medios realistas, las mismas familias que lucharon contra los latinoamericanos en los momentos de las independencias y de la aparición de las repúblicas latinoamericanas. El concepto ‘república’ los espanta, por eso son tan ‘borboneses’, tan de Borbonia, sin caer en la cuenta que España es otra cosa.
2) ¿Cuáles son las expectativas del Congreso para la creación de una perspectiva teórica y de desarrollo de trabajos para la Sociedad Latina de Comunicación?
Las expectativas se han visto superadas con la presencia de 115 ponencias de profesoras y profesores de 26 universidades españolas y de compañeros de Chile, Argentina, Brasil, Ecuador, Venezuela, Colombia, México y Cuba. Ahora hay que esperar al desarrollo del congreso y a que surjan proyectos de grupos de trabajo. Y avanzar. Y ayudar a crear esa masa crítica que todavía no dispone la Comunicación. Ésa pueda ser una meta en la que han de trabajar todas las personas comprometidas con los estudios e investigaciones sobre Comunicación.
3) ¿Qué papel diferencial quiere cumplir la Sociedad Latina de Comunicación Social frente a otras entidades internacionales ya existentes en nuestra área, como la ALAIC y la IAMCR y las Asociaciones Nacionales de Comunicación en diversos países, como la INTERCOM en Brasil y la AEIC en España?
La "vocación" de SLCS no es competir con otras entidades ya existentes. Todo lo contrario, colaborar con quien haga falta. La primera idea es dar apoyo a una revista científica que, en estos momentos, ocupa el primer lugar en la tabla del índice de impacto español de revistas científicas de Comunicación. A veces, nace una asociación y poco después crea una revista para servir a sus asociados. Aquí estamos en un caso inverso: hay una revista y sus lectores o autores-colaboradores se agrupan para darle apoyo, para que disponga del apoyo institucional que no tiene ni ha tenido en sus doce años de vida. De ese modo, la independencia académica de la revista se mantiene. Incluso, podría seguir creciendo sin ese apoyo, aunque con mayores dificultades. Pero ya con doce años de vida, todas las dificultades ya se han presentado y sabemos cómo superarlas.
Aparte de lo anterior, hay que destacar que todavía la Comunicación no ha alcanzado en España la masa crítica necesaria para asegurar su mayor fortalecimiento. Otras disciplinas, como la Educación, la han conseguido hace tiempo y sus logros generales son superiores a los nuestros. Sólo basta ver el número de revistas indexadas de cada materia, para ver que las 20 nuestras poco tienen que ver con las 38 de Antropología, 124 de Educación, 46 de Ciencia Política y de la Administración, 116 de Economía, 43 de Geografía, 90 de Psicología, 68 de Sociología o las 37 de Urbanismo. Comunicación es la menos numerosa de las revistas españolas de Ciencias Sociales, lo que habla de esa ausencia de la necesaria masa crítica de la que he hablado. Tenemos que acudir al índice de impacto de revistas españolas de Ciencias Jurídicas para encontrar otras especialidades con menor número de revistas científicas, pero fíjense cuáles son esas áreas de conocimiento: Derecho Internacional Público y Privado (con el mismo número de Comunicación, 20), Filosofía del Derecho (13), Derecho Eclesiástico del Estado (6), Derecho Financiero y Tributario (18), Derecho Romano e Historia del Derecho (11).
Estamos lejos de una situación aceptable, todavía hace falta mayor número de revistas, de investigadores que tengan necesidad de publicar y originen nuevas cabeceras, para alcanzar la masa crítica necesaria para ser lo que todavía no somos.
4) La Sociedad Latina de Comunicación nació ya vinculada a un periódico científico reconocido, la Revista Latina de Comunicación Social. ¿De qué manera la entidad puede contribuir con el fortalecimiento internacional de esta revista desde un punto de vista no sólo editorial, sino también político, buscando al mismo tiempo fortalecer el área de Comunicación Social?
Ya hay cierta experiencia en fortalecimiento de redes y de encuentros, como es la RAIC, la Red Académica Iberoamericana de la Comunicación, y la Bienal Iberoamericana de la Comunicación, celebrada ya en siete ediciones, y cuya octava cita podrá ser una universidad brasileña.
La RAIC está integrada por profesores doctores de América Latina que han realizado sus doctorado en universidades españolas y profesores españolas y de otros países concienciados en la cooperación científica en el área de las lenguas portuguesa y castellana.
También está la Red Bogotá de Revistas Científicas de Comunicación, interesada por el fortalecimiento y mejor de los periódicos científicos de nuestro ámbito, siempre sin intereses diferentes a los académicos, siempre de igual a igual, siempre desde la amistad y el compañerismo.
Eso va a seguir así, dentro y fuera de SLCS, y dentro y fuera de RLCS, porque hay un compromiso personal de mucha gente, por encima de entidades o publicaciones. Pero, es obvio, haciendo buen uso de entidades y publicaciones. A esto están invitados todos los investigadores que tengan o deseen adquirir tal compromiso.
La RLCS es casi con toda seguridad la publicación oriental (Iberia es oriente para América Latina) que alberga mayor número de artículos de compañeros de las repúblicas americanas. Nació con esa vocación, lo dice en su propio nombre y lo ha dejado patente en los doce años de vida. Y así seguirá siendo.
* Doutor em Ciências da Informação pela Universidad Complutense de Madrid e professor catedrático de Periodismo da Universidad de La Laguna (Tenerife, Canarias; Espanha). Diretor e fundador da Revista Latina de Comunicación Social.
(Frederico Tavares)
24 novembro 2009
Simpósio Internacional de Cultura e Comunicação na América Latina
O III Simpósio Internacional de Cultura e Comunicação na América Latina: Integrar para além do mercado pretende reunir pesquisadores, docentes, estudantes e acadêmicos em geral, para um encontro de três dias com o objetivo de dar continuidade às discussões sobre as perspectivas de integração da América Latina no âmbito da cultura e comunicação. O CELACC (Centro de Estudos Latino Americanos sobre Cultura e Comunicação) já realizou dois simpósios na Universidade de São Paulo, ambos com financiamento do CNPq e FAPESP que debateram a comunicação e os movimentos sociais e a integração latino-americana do ponto de vista da cultura.
Com o avanço das discussões no contexto da geopolítica regional da integração do continente, o CELACC entende que é necessário um aprofundamento destas temáticas tendo em vista mudanças no cenário das indústrias culturais continentais, das políticas culturais na região e mesmo a maior visibilidade da temática da diversidade cultural, hoje reconhecida como um direito humano pela UNESCO. Assim, “integrar para além do mercado” significa integrar a espacialidade das idéias, das reflexões, dos conceitos e este é o principal objetivo deste III Simpósio que terá como atividade de lançamento o Seminário “Utopia e identidade cultural: a América Latina na obra de Darcy Ribeiro”.
Mais informações sobre o Seminário aqui.
Temáticas
GT I. América Latina, Globalização e Cultura
Coordenador: Prof.Dr. Juarez Xavier
GT II. Indústria Cultural na América Latina e Políticas Culturas
Coordenador: Prof.Ms. Moisés dos Santos e Mariângela Haswani Furlan
GT III. Experiências de Mídia Alternativa e Cultura na América Latina
Coordenador: Prof.Dr. Wilton Garcia
(Aline Weschenfelder)
Com o avanço das discussões no contexto da geopolítica regional da integração do continente, o CELACC entende que é necessário um aprofundamento destas temáticas tendo em vista mudanças no cenário das indústrias culturais continentais, das políticas culturais na região e mesmo a maior visibilidade da temática da diversidade cultural, hoje reconhecida como um direito humano pela UNESCO. Assim, “integrar para além do mercado” significa integrar a espacialidade das idéias, das reflexões, dos conceitos e este é o principal objetivo deste III Simpósio que terá como atividade de lançamento o Seminário “Utopia e identidade cultural: a América Latina na obra de Darcy Ribeiro”.
Mais informações sobre o Seminário aqui.
Temáticas
GT I. América Latina, Globalização e Cultura
Coordenador: Prof.Dr. Juarez Xavier
GT II. Indústria Cultural na América Latina e Políticas Culturas
Coordenador: Prof.Ms. Moisés dos Santos e Mariângela Haswani Furlan
GT III. Experiências de Mídia Alternativa e Cultura na América Latina
Coordenador: Prof.Dr. Wilton Garcia
(Aline Weschenfelder)
20 novembro 2009
Uma cobertura fragmentada
Sabemos que a internet hoje se tornou um meio de comunicação essencial nas relações sociais. Não se trata simplesmente de uma tecnologia, e sim do meio de comunicação que constitui a forma organizativa da sociedade em torno de fluxos (Castells 1999). Foi neste espaço de fluxos que o caso Paula Oliveira repercutiu, através da publicação do relato do pai da brasileira no blog do jornalista Ricardo Noblat. No relato, o pai conta que a filha, que vivia na Suíça, teria sido atacada por neonazistas e por causa das agressões teria sofrido um aborto. A partir de então, o acontecimento foi amplamente divulgado tendo grande repercussão na mídia, pautando não só jornais como revistas e portais de notícias na internet dos mais variados gêneros.
Na busca incessante pelo furo, repórteres anteciparam-se e acabaram produzindo julgamentos públicos. Na televisão o Jornal Nacional e o Jornal da Globo deram destaque a notícia, na mídia impressa, revistas como Veja e Época publicaram reportagens extensas e na internet, podemos citar o G1, portal de notícias vinculado a Rede Globo. No portal o assunto gerou cerca de 15 matérias dentre atualizações e desdobramentos. Não havendo nenhuma evidência ou testemunha do suposto ataque descobriu-se em seguida que a história havia sido inventada pela brasileira, culminando em um desfecho inusitado.
No caso do portal os conteúdos foram fragmentados e não hierarquizados, de modo que as notícias foram publicadas por editorias como Mundo e Brasil, ou por assuntos, como Brasileiros no exterior e Caso da brasileira ferida na Suíça, perdendo a origem da informação. Desta forma, além de não ficar explícito o que deu início ao acontecimento na cobertura feita pelo portal, o leitor não conseguiu acompanhar o desenrolar passo a passo. A fragmentação acabou por descontextualizar o conteúdo na medida em que não houve uma preocupação em recuperar o acontecimento inicial, mas apenas em noticiar seus desdobramentos atuais. A simplificação e a descontextualização dos conteúdos, conforme Mar de Fontcuberta, professora de Comunicação social da Pontifícia Universidade Católica do Chile, compromete a compreensão do leitor.
A irrupção das novas tecnologias revolucionou radicalmente o modo tradicional de trabalho do jornalista, vivenciamos hoje a sociedade da informação, onde todo mundo se comunica através da rede. Ainda assim, questões como responsabilidade e ética deveriam estar sempre no centro das preocupações dos jornalistas na era da industrialização da informação. Seguindo as técnicas jornalísticas toda e qualquer informação transmitida por uma fonte deveria ser selecionada, checada e contextualizada. Não foi o que vimos na cobertura realizada pelo portal G1.
(Daiana de Oliveira Martins)
Texto produzido na disciplina de Crítica das Práticas Jornalísticas
Na busca incessante pelo furo, repórteres anteciparam-se e acabaram produzindo julgamentos públicos. Na televisão o Jornal Nacional e o Jornal da Globo deram destaque a notícia, na mídia impressa, revistas como Veja e Época publicaram reportagens extensas e na internet, podemos citar o G1, portal de notícias vinculado a Rede Globo. No portal o assunto gerou cerca de 15 matérias dentre atualizações e desdobramentos. Não havendo nenhuma evidência ou testemunha do suposto ataque descobriu-se em seguida que a história havia sido inventada pela brasileira, culminando em um desfecho inusitado.
No caso do portal os conteúdos foram fragmentados e não hierarquizados, de modo que as notícias foram publicadas por editorias como Mundo e Brasil, ou por assuntos, como Brasileiros no exterior e Caso da brasileira ferida na Suíça, perdendo a origem da informação. Desta forma, além de não ficar explícito o que deu início ao acontecimento na cobertura feita pelo portal, o leitor não conseguiu acompanhar o desenrolar passo a passo. A fragmentação acabou por descontextualizar o conteúdo na medida em que não houve uma preocupação em recuperar o acontecimento inicial, mas apenas em noticiar seus desdobramentos atuais. A simplificação e a descontextualização dos conteúdos, conforme Mar de Fontcuberta, professora de Comunicação social da Pontifícia Universidade Católica do Chile, compromete a compreensão do leitor.
A irrupção das novas tecnologias revolucionou radicalmente o modo tradicional de trabalho do jornalista, vivenciamos hoje a sociedade da informação, onde todo mundo se comunica através da rede. Ainda assim, questões como responsabilidade e ética deveriam estar sempre no centro das preocupações dos jornalistas na era da industrialização da informação. Seguindo as técnicas jornalísticas toda e qualquer informação transmitida por uma fonte deveria ser selecionada, checada e contextualizada. Não foi o que vimos na cobertura realizada pelo portal G1.
(Daiana de Oliveira Martins)
Texto produzido na disciplina de Crítica das Práticas Jornalísticas
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Crítica das Práticas Jornalísticas
16 novembro 2009
Acontecimento em debate na SBPJor
Integrantes do Grupo de Pesquisa Estudos em Jornalismo – GPJor estarão participando do VII Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, que acontece de 25 a 27, na USP. O evento promovido pela Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo - SBPJor terá duas sessões coordenadas sobre Acontecimento Jornalístico, que irá reunir além de pesquisadores do GPJor, professores e alunos dos programas de pós-graduação em comunicação das federais do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e de Minas Gerais.
A primeira sessão Acontecimento Jornalístico, coordenada pela professora Christa Berger, reunirá os trabalhos: Tipologias do acontecimento jornalístico, de Christa Berger e Frederico Tavares (UNISINOS); O jornalismo como acontecimento, Marcia Benetti (UFRGS); Acontecimentos e homofobia: considerações sobre agendamento, noticiabilidade e Enquadramento, Paulo Bernardo Vaz e Elton Antunes (UFMS) e O acontecimento em sua dimensão semiótica, do professor Ronaldo Henn (UNISINOS).
Já a outra sessão coordenada sobre o tema Acontecimento Jornalístico será formada pelos trabalhos: Os jornais e o Acontecimento Obama, de Beatriz Marocco, Angela e Zamin e Felipe Boff (UNISINOS); Acontecimentos programados e acidentais na cobertura sobre homofobia, Bruno Souza Leal (UFMG); O acontecimento e a ficção no jornalismo, Daisi Vogel e Gislene Silva (UFSC); O apagamento do correspondente estrangeiro no local do acontecimento telejornalístico: a passagem comensalista e a editorialização da notícia narrada à distância, Sean Hagen (UFRGS); e O acontecimento como notícia: do conceito à prática no jornalismo corporativo, de Virginia Fonseca (UFRGS), que coordena a sessão.
Além das comunicações coordenadas, a mestranda Marina Lorenzoni Chiapinotto, integrante do GPJor, apresentará nas sessões de temas livres o artigo Imagens de morte: uma análise das fotografias de capa da revista Veja.
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O acontecimento em sua dimensão semiótica
Ronaldo Henn
partir das categorias fenomenológicas formuladas por C. S. Peirce pensa-se em diversas nuanças do acontecimento, desde a sua dimensão de singularidade radical até sua construção através de codificações prévias. Tenta-se entender como o acontecimento jornalístico se institui nas tramas semióticas de sua constituição, saindo do plano ideal, como preconiza Deleuze, para o plano da história. Defende-se que o acontecimento concentra em si a força propulsora da semiose: apreendido na condição de signo, o irromper da sua existência desdobra-se em infinitas possibilidades de desvendamento do objeto em que encarna. Considerar o acontecimento já midiaticamente traduzido ou mesmo instituído exige foco na complexidade exponencialmente aumentada do processo
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Os jornais e o Acontecimento Obama
Beatriz Marocco, Angela e Zamin e Felipe Boff
O texto é resultado de um exercício de crítica das práticas jornalísticas no âmbito da disciplina de mesmo nome do PPGCC/Unisinos, sobre a vitória de Obama à presidência dos EUA, e pretende situar-se em uma região de confluência entre filosofia e jornalismo – o presente que nos cerca: é dele que emergem os acontecimentos de que ambos saberes se ocupam. O que foi materializado pelos jornais sobre a vitória de Obama nos levou a esboçar uma via de objetivação discursiva do acontecimento em sua complexidade histórica, que se desloca da pirâmide jornalística voltada à superfície dos acontecimentos. Para explorar este novo percurso, optamos por examinar o que foi produzido em um conjunto de 18 jornais de referência à luz do conceito de “acontecimentalização”, imaginado originariamente por Foucault como o procedimento kantiano que vem dar materialidade filosófica à critica de certo elemento do presente que se trata de reconhecer em um “poliedro de inteligibilidade” (FOUCAULT, 2006a, p. 339-340).
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Tipologias do acontecimento jornalístico
Christa Berger e Frederico Tavares
Este trabalho pretende revisar textos considerados de referência que tomam o acontecimento como objeto ou que interpretam coberturas jornalísticas com a noção de acontecimento buscando apontar e sistematizar algumas categorizações existentes sobre o acontecimento jornalístico. Menos que traçar uma classificação para pensar este acontecimento, pretende-se elencar algumas “aparições” do acontecimento em estudos de distintas áreas visando a oferecer, ao fim do texto, alguns eixos e nomeações presentes na bibliografia examinada para um primeiro exercício de identificação de uma possível tipologia do acontecimento jornalístico.
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Imagens de morte: uma análise das fotografias de capa da revista Veja
Marina Lorenzoni Chiapinotto
As capas de revistas informativas são as unidades discursivas que dão mais visibilidade à notícia/reportagem em destaque na edição, sempre utilizando-se de elementos imagéticos como as fotografias. Tendo em vista que a morte é um dos fatos que possui mais valor-notícia para o jornalismo – e, por isso, é matéria recorrente em revistas desse segmento –, este texto tem como objetivo analisar como a revista Veja dá a ver a morte em fotografias publicadas em suas capas. As análises se pautam na linguagem fotográfica e a delimitação do corpus se dá sobre duas capas de Veja que explicitam cenas de morte, independente do acontecimento. O estudo demonstra que há um morto representando a morte massiva nas fotografias das capas analisadas, não interessando sua identidade.
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(Angela Zamin)
A primeira sessão Acontecimento Jornalístico, coordenada pela professora Christa Berger, reunirá os trabalhos: Tipologias do acontecimento jornalístico, de Christa Berger e Frederico Tavares (UNISINOS); O jornalismo como acontecimento, Marcia Benetti (UFRGS); Acontecimentos e homofobia: considerações sobre agendamento, noticiabilidade e Enquadramento, Paulo Bernardo Vaz e Elton Antunes (UFMS) e O acontecimento em sua dimensão semiótica, do professor Ronaldo Henn (UNISINOS).
Já a outra sessão coordenada sobre o tema Acontecimento Jornalístico será formada pelos trabalhos: Os jornais e o Acontecimento Obama, de Beatriz Marocco, Angela e Zamin e Felipe Boff (UNISINOS); Acontecimentos programados e acidentais na cobertura sobre homofobia, Bruno Souza Leal (UFMG); O acontecimento e a ficção no jornalismo, Daisi Vogel e Gislene Silva (UFSC); O apagamento do correspondente estrangeiro no local do acontecimento telejornalístico: a passagem comensalista e a editorialização da notícia narrada à distância, Sean Hagen (UFRGS); e O acontecimento como notícia: do conceito à prática no jornalismo corporativo, de Virginia Fonseca (UFRGS), que coordena a sessão.
Além das comunicações coordenadas, a mestranda Marina Lorenzoni Chiapinotto, integrante do GPJor, apresentará nas sessões de temas livres o artigo Imagens de morte: uma análise das fotografias de capa da revista Veja.
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O acontecimento em sua dimensão semiótica
Ronaldo Henn
partir das categorias fenomenológicas formuladas por C. S. Peirce pensa-se em diversas nuanças do acontecimento, desde a sua dimensão de singularidade radical até sua construção através de codificações prévias. Tenta-se entender como o acontecimento jornalístico se institui nas tramas semióticas de sua constituição, saindo do plano ideal, como preconiza Deleuze, para o plano da história. Defende-se que o acontecimento concentra em si a força propulsora da semiose: apreendido na condição de signo, o irromper da sua existência desdobra-se em infinitas possibilidades de desvendamento do objeto em que encarna. Considerar o acontecimento já midiaticamente traduzido ou mesmo instituído exige foco na complexidade exponencialmente aumentada do processo
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Os jornais e o Acontecimento Obama
Beatriz Marocco, Angela e Zamin e Felipe Boff
O texto é resultado de um exercício de crítica das práticas jornalísticas no âmbito da disciplina de mesmo nome do PPGCC/Unisinos, sobre a vitória de Obama à presidência dos EUA, e pretende situar-se em uma região de confluência entre filosofia e jornalismo – o presente que nos cerca: é dele que emergem os acontecimentos de que ambos saberes se ocupam. O que foi materializado pelos jornais sobre a vitória de Obama nos levou a esboçar uma via de objetivação discursiva do acontecimento em sua complexidade histórica, que se desloca da pirâmide jornalística voltada à superfície dos acontecimentos. Para explorar este novo percurso, optamos por examinar o que foi produzido em um conjunto de 18 jornais de referência à luz do conceito de “acontecimentalização”, imaginado originariamente por Foucault como o procedimento kantiano que vem dar materialidade filosófica à critica de certo elemento do presente que se trata de reconhecer em um “poliedro de inteligibilidade” (FOUCAULT, 2006a, p. 339-340).
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Tipologias do acontecimento jornalístico
Christa Berger e Frederico Tavares
Este trabalho pretende revisar textos considerados de referência que tomam o acontecimento como objeto ou que interpretam coberturas jornalísticas com a noção de acontecimento buscando apontar e sistematizar algumas categorizações existentes sobre o acontecimento jornalístico. Menos que traçar uma classificação para pensar este acontecimento, pretende-se elencar algumas “aparições” do acontecimento em estudos de distintas áreas visando a oferecer, ao fim do texto, alguns eixos e nomeações presentes na bibliografia examinada para um primeiro exercício de identificação de uma possível tipologia do acontecimento jornalístico.
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Imagens de morte: uma análise das fotografias de capa da revista Veja
Marina Lorenzoni Chiapinotto
As capas de revistas informativas são as unidades discursivas que dão mais visibilidade à notícia/reportagem em destaque na edição, sempre utilizando-se de elementos imagéticos como as fotografias. Tendo em vista que a morte é um dos fatos que possui mais valor-notícia para o jornalismo – e, por isso, é matéria recorrente em revistas desse segmento –, este texto tem como objetivo analisar como a revista Veja dá a ver a morte em fotografias publicadas em suas capas. As análises se pautam na linguagem fotográfica e a delimitação do corpus se dá sobre duas capas de Veja que explicitam cenas de morte, independente do acontecimento. O estudo demonstra que há um morto representando a morte massiva nas fotografias das capas analisadas, não interessando sua identidade.
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(Angela Zamin)
13 novembro 2009
Livro sobre gêneros jornalísticos
O lançamento "Redefinindo os gêneros jornalísticos: proposta de novos critérios de classificação", de Lia Seixas, está disponível para dowload gratuito no site do Labcom, da Universidade da Beira Interior, Portugal. Confira aqui.
(Aline Weschenfelder)
(Aline Weschenfelder)
12 novembro 2009
O equívoco em associar guerra e terrorismo
Professor António Fernandes durante Escola de Outono, na UNL
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"Guerra e terrorrismo: uma falsa relação" foi o tema da conferência do professor António Horta Fernandes, do Departamento de Estudos Políticos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FSCH), da Universidade Nova de Lisboa. Fernandes falou da impossibilidade em associar esses conceitos, uma vez que por mais que os atos terroristas afetam atores e poderes políticos internacionais, o objetivo não é político como nas guerras, mas a violência pela violência.
Para o professor, dedicar-se à violência é diferente de dedicar-se à política, apesar de esta ter uma dimensão violenta, conflitual, bélica. “A dimensão violenta da política, que as vezes se sobrepõe as outras, é diferente de subordinar a política à violência, a um substrato violento”. Por outro lado, segundo Fernandes, o terrorismo se apresenta com essa dimensão violenta, mas tenta revesti-la por uma ideologia, por um ideal. Apesar disso, “os meios são os fins, a violência em si”, acrescenta.
Ao relembrar Bush e sua declaração ‘guerra ao terrorismo’ o professor da UNL disse que tal expressão vale apenas como retórica. Na sua avaliação, aliar guerra a terrorismo acaba por legitimar o segundo e dar-lhes um poder que apenas os estados nacionais têm: o de fazer guerra. Ainda sobre a ‘guerra ao terrorismo’, Fernandes destaca que Bush não ordenou o ataque a um grupo terrorista, mas a um estado, o Afeganistão, tal a impossibilidade de se balizar o espaço ocupado “pela cartografia do mal”.
A conferência do professor António Horta Fernandes integrou a Escola de Outono, promovida conjuntamente pela FSCH/UNL; o Observatório Político; e o Institut d'Études Politiques – Sciences Po, de Poitiers, França.
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Jornalismo e guerra é o tema da entrevista realizada por mestrandos da Cásper Líbero com Dov Shinar, jornalista, professor e pesquisador paulista que vive em Israel, publicada na primeira edição da Revista Contempo, recentemente lançada. A íntegra de "Jornalismo de guerra e jornalismo de paz: o valor de notícia e as narrativas de conflitos" pode ser conferida aqui.
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(Angela Zamin, de Lisboa)
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"Guerra e terrorrismo: uma falsa relação" foi o tema da conferência do professor António Horta Fernandes, do Departamento de Estudos Políticos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FSCH), da Universidade Nova de Lisboa. Fernandes falou da impossibilidade em associar esses conceitos, uma vez que por mais que os atos terroristas afetam atores e poderes políticos internacionais, o objetivo não é político como nas guerras, mas a violência pela violência.
Para o professor, dedicar-se à violência é diferente de dedicar-se à política, apesar de esta ter uma dimensão violenta, conflitual, bélica. “A dimensão violenta da política, que as vezes se sobrepõe as outras, é diferente de subordinar a política à violência, a um substrato violento”. Por outro lado, segundo Fernandes, o terrorismo se apresenta com essa dimensão violenta, mas tenta revesti-la por uma ideologia, por um ideal. Apesar disso, “os meios são os fins, a violência em si”, acrescenta.
Ao relembrar Bush e sua declaração ‘guerra ao terrorismo’ o professor da UNL disse que tal expressão vale apenas como retórica. Na sua avaliação, aliar guerra a terrorismo acaba por legitimar o segundo e dar-lhes um poder que apenas os estados nacionais têm: o de fazer guerra. Ainda sobre a ‘guerra ao terrorismo’, Fernandes destaca que Bush não ordenou o ataque a um grupo terrorista, mas a um estado, o Afeganistão, tal a impossibilidade de se balizar o espaço ocupado “pela cartografia do mal”.
A conferência do professor António Horta Fernandes integrou a Escola de Outono, promovida conjuntamente pela FSCH/UNL; o Observatório Político; e o Institut d'Études Politiques – Sciences Po, de Poitiers, França.
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Jornalismo e guerra é o tema da entrevista realizada por mestrandos da Cásper Líbero com Dov Shinar, jornalista, professor e pesquisador paulista que vive em Israel, publicada na primeira edição da Revista Contempo, recentemente lançada. A íntegra de "Jornalismo de guerra e jornalismo de paz: o valor de notícia e as narrativas de conflitos" pode ser conferida aqui.
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(Angela Zamin, de Lisboa)
11 novembro 2009
GPJor na España
O doutorando Frederico Tavares participa nos dias 12 e 13 de novembro das "I Jornadas de Diseño en la Sociedad de la Información" que acontecerão na Universidad Rey Juan Carlos de Madrid. O evento tem como tema a configuração do mercado de trabalho do campo gráfico na Espanha e contará com palestras de profissionais da área e com comunicações científicas voltadas para os estudos visuais no jornalismo e nos meios de comunicação.
Mais informações no site das Jornadas.
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(Fred Tavares, desde Madrid)
10 novembro 2009
Sobre a mídia impressa
Em entrevista ao NUPEJOR/UFRGS, Sergio Picciarelli, responsável por viabilizar projetos especiais nas revistas da Editora Abril, fala sobre o livro “Encartes Especiais: a mídia impressa em busca de novas formas de comunicar”. Picciarelli aponta potencialidades na sensibilização do leitor, como a utilização de recursos só possíveis no suporte papel, e aposta que esses formatos, já experimentados na publicidade, têm potencial para chegar ao jornalismo. Confira a entrevista no blog.
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(Angela Zamin)
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(Angela Zamin)
05 novembro 2009
Seminário de Tese e Grupo de Pesquisa
A doutoranda Aline Roes Dalmolin apresentará o trabalho “Valores modernos e tradicionais em revistas católicas brasileiras dos anos 1980: o discurso sobre família em Rainha e Família Cristã”, no Seminário de Tese que será realizado durante o próximo encontro do Grupo de Estudos em Jornalismo, no dia 10 de novembro, às 14 horas no PPGCOM. Nesta mesma reunião, os mestrandos que ingressaram no Programa em 2009 terão a oportunidade de debater o andamento de suas pesquisas com os demais integrantes do grupo.
(Aline Weschenfelder)
(Aline Weschenfelder)
04 novembro 2009
Simplista demais
Ao observar a cobertura jornalística atual pode-se delinear uma avaliação sobre o modo de fazer jornalismo de alguns veículos de comunicação. A capacidade de desagregar e descontextualizar informações, isolando-as das demais relativas à questão central tratada, dá margem para compreender que o jornalismo praticado hoje deixa de atender aos anseios de uma sociedade que, num processo continuo de complexificação, não pode mais ser tratada apenas como uma massa de consumidores de informação.
Toma-se como exemplo a notícia publicada numa agência de notícias on-line, no dia 22 de agosto deste ano. Os profissionais deste veículo se reduziram a informar apenas as condições em que ocorreu a morte do trabalhador rural Elton Brum da Silva, de 44 anos, alvejado pelas costas durante ação de despejo da Brigada Militar ocorrida na manhã do dia 21 de agosto, em São Gabriel (RS). Elton estava entre as famílias sem terra que ocupavam a Fazenda Southall, reinvindicando a desapropriação do restante da área para a reforma agrária.
Ao publicar o texto jornalístico, o veículo ofereceu uma abordagem simplista, preocupando-se apenas em revelar dados colhidos junto aos sem-terra, sem sequer esclarecer o ponto de vista das autoridades policiais e representantes do Estado, como forma de contraponto. Sem contar a falta de contextualização sócio/histórica que deveria acompanhar o texto, para possibilitar ao leitor o entendimento dos sucessivos acontecimentos que tem norteado a questão agrária nos últimos anos no Rio Grande do Sul.
Mas o jornalismo praticado pela agência de notícias aqui analisada é comumente enxergado em outros periódicos que circulam por aí. Essa caracterização pode ser vislumbrada a partir do que a professora de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Chile, Mar de Fontcuberta, chama de Jornalismo Mosaico. Segundo a pesquisadora, a partir da desagregação de informações, da explicação dos conteúdos mediante a simplificação, da busca por responder a um formato preestabelecido e, ainda, da construção de pautas sem articulação com outras são marcas do jornalismo atual. Para a autora, “o princípio da simplicidade ou bem separa o que está ligado (disjunção) ou bem unifica o que está disperso (redução). E por isso distorce.”
Corroborando com a autora, pode-se considerar que a maioria dos meios de comunicação atua em relação inversa ao progresso da sociedade, quando as páginas se convertem em um espaço no qual as notícias são escritas sem articulação e, por conseguinte, dificultam os sentidos no campo receptor. É necessário mudanças. Não é mais pensável um jornalismo dirigido a um leitor simples, mas a uma pessoa acostumada a buscar explicações e analisar a sociedade.
Se aceitarmos o fato de estarmos inseridos uma sociedade complexa, em que se multiplicam as interações entre os media e seus leitores, parece claro que o jornalismo que respeite essa complexidade corresponda a um leitor que seja capaz de interpretá-la.
(Maicon Kroth)
Texto apresentado na disciplina de Crítica das Práticas Jornalísticas.
Toma-se como exemplo a notícia publicada numa agência de notícias on-line, no dia 22 de agosto deste ano. Os profissionais deste veículo se reduziram a informar apenas as condições em que ocorreu a morte do trabalhador rural Elton Brum da Silva, de 44 anos, alvejado pelas costas durante ação de despejo da Brigada Militar ocorrida na manhã do dia 21 de agosto, em São Gabriel (RS). Elton estava entre as famílias sem terra que ocupavam a Fazenda Southall, reinvindicando a desapropriação do restante da área para a reforma agrária.
Ao publicar o texto jornalístico, o veículo ofereceu uma abordagem simplista, preocupando-se apenas em revelar dados colhidos junto aos sem-terra, sem sequer esclarecer o ponto de vista das autoridades policiais e representantes do Estado, como forma de contraponto. Sem contar a falta de contextualização sócio/histórica que deveria acompanhar o texto, para possibilitar ao leitor o entendimento dos sucessivos acontecimentos que tem norteado a questão agrária nos últimos anos no Rio Grande do Sul.
Mas o jornalismo praticado pela agência de notícias aqui analisada é comumente enxergado em outros periódicos que circulam por aí. Essa caracterização pode ser vislumbrada a partir do que a professora de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Chile, Mar de Fontcuberta, chama de Jornalismo Mosaico. Segundo a pesquisadora, a partir da desagregação de informações, da explicação dos conteúdos mediante a simplificação, da busca por responder a um formato preestabelecido e, ainda, da construção de pautas sem articulação com outras são marcas do jornalismo atual. Para a autora, “o princípio da simplicidade ou bem separa o que está ligado (disjunção) ou bem unifica o que está disperso (redução). E por isso distorce.”
Corroborando com a autora, pode-se considerar que a maioria dos meios de comunicação atua em relação inversa ao progresso da sociedade, quando as páginas se convertem em um espaço no qual as notícias são escritas sem articulação e, por conseguinte, dificultam os sentidos no campo receptor. É necessário mudanças. Não é mais pensável um jornalismo dirigido a um leitor simples, mas a uma pessoa acostumada a buscar explicações e analisar a sociedade.
Se aceitarmos o fato de estarmos inseridos uma sociedade complexa, em que se multiplicam as interações entre os media e seus leitores, parece claro que o jornalismo que respeite essa complexidade corresponda a um leitor que seja capaz de interpretá-la.
(Maicon Kroth)
Texto apresentado na disciplina de Crítica das Práticas Jornalísticas.
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Crítica das Práticas Jornalísticas
23 outubro 2009
Jornalismo e Ciência
Segue uma citação interessante, de um pesquisador que via o labor científico tal qual o de um "super-reportero":
"Es tarea de la ciencia reducir la expresión inarticulada de nuestros sentimientos individuales a un universo de discurso común y crear un mundo objetivo e inteligible a partir de nuestras experiencias privadas" (Robert E. Park).
(Fred Tavares, desde Madrid)
"Es tarea de la ciencia reducir la expresión inarticulada de nuestros sentimientos individuales a un universo de discurso común y crear un mundo objetivo e inteligible a partir de nuestras experiencias privadas" (Robert E. Park).
(Fred Tavares, desde Madrid)
20 outubro 2009
Seminário Unisinos-Santander
A mestranda Maria Joana Chaise apresentará o trabalho “A participação do público no espaço Leitor-Repórter: possibilidades e desafios” no I Seminário de bolsistas Unisinos-Santander no dia 20 de outubro, às 13h30 na Sala de Seminários I.
O Seminário acontecerá nos dias 20 e 21 de outubro com apresentações de Pesquisas Científicas pelos bolsistas do PPG do Banco Santander, e acontecem nas Salas de Seminários I e II da Biblioteca da Unisinos. Mais informações aqui.
(Aline Weschenfelder)
O Seminário acontecerá nos dias 20 e 21 de outubro com apresentações de Pesquisas Científicas pelos bolsistas do PPG do Banco Santander, e acontecem nas Salas de Seminários I e II da Biblioteca da Unisinos. Mais informações aqui.
(Aline Weschenfelder)
19 outubro 2009
50 anos de telejornal em Portugal
Portugal está a comemorar 50 anos de telejornal. Trata-se do programa de mesmo nome, veiculado pela emissora pública RTP – Rádio Televisão Portugal. Numa promoção conjunta com o CECS - Centro de Estudos Comunicação e Sociedade, da Universidade do Minho, foi realizada a Conferência 50 Anos de Telejornal: entre o passado e o futuro, na Fundação das Comunicações, em Lisboa.
Por meio dos 50 anos de Telejornal, da RTP, é possível recontar a história do telejornalismo em Portugal, já que o período concorrencial se iniciou apenas nos anos 90, com a implantação dos canais privados SIC e TVI. Ainda, muitos dos jornalistas que estão a fazer jornalismo nos canais privados passaram pela ‘escola’ da RTP.
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O Telejornal e os estudos acadêmicos
Nilza de Sena (Inst. Sup. Ciências Políticas e Sociais), Maria Rosário Saraiva (Univ. do Porto), Felisbela Lopes (Univ. Minho), Rogério Santos (Católica Portguesa), Nuno Brandão (Inst. Sup. Novas Profissões) e Rui Cádima (Univ. Nova de Lisboa)
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A professora Maria Rosário Saraiva, da Universidade do Porto, divide a história do telejornaismo em Portugal em cinco fases: a Era Técnica (195-1959), de aprendizagem e domínio da técnica de produção televisiva; Era dos Realizadores (1959-974), quando ocorre a aposta na imagem e dá-se a introdução do videotipe; Era dos Jornalisas (1974-1980), quando impõe-se a cobertura jornalística e altera-se a função dos apresenadores dos telejornais; Era do Marketing (1992-2000), com a entrada das privadas, preocupação com a audiência, com fait-divers e a transparência da notícia; e a Era do Virtual (a partir de 2001).
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O telejornal a partir do lugar dos pivots (âncoras)
Judite de Sousa, Lopes de Araújo, José Carvalho (diretor de informação da RTP), Adelino Gomes (Provedor do Ouvinte da RTP), Maria Elisa e Manoel Caetano
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A mesa que tratou do lugar dos âncoras, o fez a partir de quatro ex-apresentadores do Telejornal, da RTP: Manoel Caetano, pivot no período do Estado Novo; Maria Elisa, período de 25 de abril; Lopes de Araújo, no período do monopólio em regime democrático; e Judite de Sousa, no período pós-privadas.
A primeira geração de apresentadores foi a dos locutores, responsáveis apenas pela gravação dos offs gerados sobre a imagens já escolhidas e os textos já formatados. Caetano, hoje com 83 anos, contou de sua trajetória, iniciada no rádio – teatro radiofônico e narração esportiva – “eu gostava de fazer reportagem em direto, mas na televisão isso ainda não havia sido inaugurado”, disse. Responsável pela apresentação do Telejornal durante a censura do Estado Novo, Caetano acrescenta: “fui locutor e, portanto, lia o quê os outros escreviam”.
Caetano apresentou o programa até a véspera do 25 de abril de 1974, quando foi substituído, entre outros, pela jornalista Maria Elisa. “Pensávamos que seria a liberdade, fim de censura, mas, continuamos a ouvir uma parte apenas”, disse. E acrescentou: “saímos do regime [Estado Novo], deixamos de ler notícias censuradas pelo Estado, mas, continuamos a ler notícias escritas por quem não nos ouvia”, disse referindo-se a não participação dos apresentadores na definição de pautas e produção de reportagens e texto. A mudança veio com a publicação no jornal Expresso de um documento, escrito por ela e outros jornalistas, conhecido como documento dos papagaios. “Queríamos mais participação na definição de temas e enquadramentos porque dávamos a cara àquilo que líamos”, finaliza.
Lopes de Araújo diz que a época dos jornalistas papagaios seguiu-se a do jornalismo televisivo interpretativo. Nesta época, já nos anos 80, o apresentador participava da reunião de pauta e alinhamento até as alterações finais. O trabalho altera-se com a entrada das TVs privadas, nos anos 90, e investimentos em tecnologia, que permitiram tratar com mais agilidade os grandes acontecimentos. Judite de Sousa, apresentadora na fase pós-privadas, relembrou dos primeiros acontecimentos internacionais com participação direta da RTP – as guerras da Angola, 1992; da Bósnia, 1995; e do Líbano, 1996; e a devolução de Macau, em 1999.
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Outros temas
A relação com a política e o cenário de mudança foram outros dois temas da Conferência 50 Anos de Telejornal. Da primeira participaram os assessores políticos de Ramalho Eanes, Mário Soares e Cavaco Silva, respectivamente, os jornalistas Joaquín Letria, Estrela Serrana e José Arrantes.
Da sessão 'O Telejornal um gênero televisivo em mudança' participaram José Alberto Carvalho, diretor de informação da RTP, Luís Marques, diretor geral da SIC, Júlio Magalhães, diretor de informação da TVI, sob coordenação de Paquete de Oliveira (Provedor do Telespectador da RTP) e comentários de Carlos Daniel (diretor-adjunto da RTPN). Desta, a comprovação da importância da RTP e de seu Telejornal na formação de quadros profissionais, uma vez que os diretores da TVI e SIC trabalharam, primeiro, na emissora pública.
José Arrantes, Marcelo Rebelo de Sousa (Faculdade de Direito da Univ. de Lisboa), Estrela Serrana e Joaquín Letria
Júlio Magalhães, Carlos Daniel, Paquete de Oliveira, Luís Marques e José Alberto Carvalho
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(Angela Zamin, de Lisboa)
17 outubro 2009
Esboço de crítica da crítica
A “satanização” das comunicações diz respeito, em parte, a antiquada esquerda, que não consegue enxergar os possíveis da realidade não apenas comunicacional atual. Isso foi dito, com outras palavras, por Antonio Negri (1993), e entendemos que ele se referia à tradição apocalíptica, que, segundo José Luiz Braga (2002), por incrível que pareça, persiste nos dias de hoje, como seu oposto, os integrados. Para nós, essa corrente de pensamento (apocalíptica) atualmente, ou melhor, a partir da virada do século, se apóia na crítica negativa das novas tecnologias de comunicação e informação. Consideramos também que ela não se limita ao campo das mídias, pois as mudanças tecnológicas ocorrem conjuntamente a mudanças políticas, culturais e econômicas, próprias da globalização, ou, melhor, da ordem mundial que Negri e seu companheiro Michael Hardt nomearam, mais especificamente, de Império, no livro de mesmo nome (2006).
Na obra, o conceito de Império se choca ao de multidão – potência positiva da realidade atual. Mais ou menos na mesma época em que Império foi lançado, três textos apocalípticos surgiram, chorando o passado perdido, o declínio do Estado-nação, o fim das grandes narrativas, mesmo que o conteúdo principal seja a fobia frente às novas tecnologias de comunicação, principalmente a internet.
Esses textos de Joel de Rosnay (2002) e Ignácio Ramonet (2001; 2002) resumem muito bem um certo espírito derrotista, em que o passado se mantém como um fantasma. Para ambos, a internet é uma rede sem centro caótica, e as outras mídias são engolidas por ela. Neles, as mídias de massa tradicionais, estão em crise, e uma horda de bárbaros digitais se apropria do seu o espaço, e não há mais nada a fazer. Ramonet (2001) especifica essa discussão, tendo o jornalismo como objeto. Para o autor, esse tradicional instrumento das sociedades democráticas estaria sendo corrompido a tal ponto que sua morte é inevitável. A proposta inicial deste ensaio era uma crítica das práticas jornalísticas, mas decidimos trabalhar com um tema mais amplo, as mídias como um todo, pois as questões expostas aqui não são restritas. Mas quando falamos em mídias, consideramos também, é claro, o jornalismo.
Mas no ano em que Império (o livro) foi lançado, e também nos anos posteriores, o poder hegemônico foi abalado pelos governados e explorados, por uma insurgência global, que foi traduzida em Multidão: livro de Negri e Hardt (2004) que agora dá espaço maior as potências reais de transformação da ordem mundial. O livro vem de carona com as manifestações de Seattle, contra a guerra do Iraque, os Fóruns Sociais, alguns exemplos dessa insurgência. Multidão, como já acontecia em Império, vai de encontro à posição passiva apocalíptica – essa crítica pela crítica que nada propõe – e de forma alguma se alia aos integrados, pois a democracia real (sonho da multidão) não está dada, deve ser criada.
Algumas semanas atrás, o assassinato de um sem-terra, em confronto com a polícia, recebeu destaque nas mídias. O fato nos impôs a lembrança de que há uma resistência no Brasil consistente, que á aliada de resistências globais, como a Via Campesina e a rede Zapatista. Todas reivindicam a terra, este bem que deveria ser comum, de todos, como é a linguagem, nosso corpo humano, nossa produtividade que constrói o mundo.
Se de um lado há esse poder hegemônico, em que não há mais um sujeito em oposição bem definido, como no marxismo, o qual Ramonet chora – talvez sem saber –a falta; de outro lado, há essa multidão singular que se quer assim, e que resiste. A multidão, aos poucos, mina os poderes, sua revolução não chegará, ela acontece, é um processo em andamento. Deveríamos nos perguntar de que lado nós estamos: aceitaremos nos misturar a multidão e lutar por uma realidade menos endurecida, ou apenas ficaremos sentados, chorando a perda de um passado provavelmente mais triste que a realidade atual?
Quanto ao jornalismo, talvez sua morte nos permita dar um passo para esta outra realidade, essa sim democrática. O corte entre produtores e leitores, no jornalismo, há muito separa a multidão, impõe hierarquias, permite que apenas poucos representem muitos – reflexo da democracia representativa. Mas como cada vez mais esse corte é esmaecido, a questão agora não é mais “quem vai falar”, mas “o que falar”.
(Diego Carvalho)
Texto apresentado na disciplina de Crítica das Práticas Jornalísticas.
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Crítica das Práticas Jornalísticas
07 outubro 2009
Jornalismo no rádio comunitário
no CICOM, em Braga, com Rogério Santos, da Católica Portuguesa
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A doutoranda Angela Zamin participa do VII Congreso Internacional Ulepicc, que acontece entre hoje e sexta, na Universidad Carlos III, em Madrid. Sob o tema 'Políticas de cultura y comunicación', o evento reúne 113 trabalhos, oriundos da Espanha, Brasil, México, Argentina, Austrália, Chile, Colômbia, Itália, Portugal, Uruguai e Venezuela, distribuídos em 18 mesas temáticas, além das conferências. Na Ulepicc, Angela Zamin irá apresentar o artigo "A aprendizagem social do uso da mídia e o jornalismo no rádio comunitário: um fazer tentativo", originada em sua dissertação de mestrado, defendida na Unisinos. O trabalho compõem a mesa 'Presente y futuro de la industria radiofónica', que reúne trabalhos das universidades de Granada e Carlos III, ambas espanholas, e da Universidade Estadual Paulista..
Em setembro, na Universidade Católica Portugesa, em Braga, Portugal, a doutoranda apresentou o artigo "Dos acontecimentos no mundo à notícia: relações entre o jornalismo e o geopolítico", em uma das sessões sobre jornalismo do Congresso Internacional de Ciências da Comunicação - CICOM. Integraram a sessão mais dois trabalhos, um da Universidade Santiago de Compostela e o outro da Universidade de Lisboa, sob coordenação do professor Rogério Santos...
(Angela Zamin, de Madri)
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