24 maio 2011
Acontecimentos e movimentos sociais
A professora Christa Berger participou do II Colóquio em Imagem e Sociabilidade - Acontecimento: Reverberações, realizado nos dias 18, 19 e 20 de maio, na Universidade Federal de Minas Gerais. Promovido pelo Grupo de Pesquisa em Imagem e Sociabilidade – GRIS, da UFMG, o evento reuniu pesquisadores brasileiros e europeus que trabalham com Acontecimento, como Louis Quere, Habibou Fofana, Joan Stavo-Debauge, Paola Diaz, Alain Bovet e Cédric Terzi, todas da EHESS, e Isabel Babo-Lança, da Universidade Lusófana do Porto. A professora Christa Berger integrou a mesa temática “Acontecimentos e Movimentos Sociais” junto de Louis Quere, da EHESS, e Marta Maia, da UFOP, quando apresentou o artigo “Acontecimento e resistência: mulheres contra a Aracruz”. Abaixo o resumo do trabalho apresentado.
.
Acontecimento e resistência: mulheres contra a Aracruz, por Christa Berger (Unisinos)
Resumo: O Movimento das Mulheres da Via Campesina protagonizou uma ação de ocupação de um viveiro hortoflorestal da Aracruz Celulose no Rio Grande do Sul no dia 8 de março (dia internacional da mulher) em 2006. A ação é analisada como um acontecimento que ocorreu em um tempo e lugar específicos afetando sujeitos e instituições sociais e revelando um campo problemático em que há recorrência e atualidade: a terra e seus usos abusivos em terras brasileiras. O ponto de interesse aqui é observar como o acontecimento formulado no interior de um movimento de resistência circulou como acontecimento jornalístico na imprensa hegemônica e nas redes sociais. A análise incorpora seu retorno como acontecimento estendido através da lembrança na “comemoração” de seus cinco anos.
.
(Angela Zamin)
11 abril 2011
Pesquisa sobre práticas jornalísticas será apresentada no Mejor 2011
A professora Beatriz Marocco, integrante do GPJor, socializará resultados da pesquisa sobre saberes que circulam nas redações, que vem desenvolvendo desde o ano passado com financiamento do CNPq, durante o I Colóquio Mudanças Estruturais no Jornalismo – Mejor 2011 –, que acontecerá na UnB, de 25 a 28 deste mês. O texto “Uma via alternativa de reflexão sobre as práticas jornalísticas” será apresentado no Grupo de Trabalho Mediação, mediatização e prática jornalística, que reunirá os pesquisadores Emmanuël Souchier e Adeline Wrona, ambos da Université Paris-Sorbone, França; Carlos Alberto de Carvalho e Leandro Rodrigues Lage, da UFMG; Antonio Fausto Neto, da Unisinos; Arnaud Noblet, da Université de Grenoble, França; e Luiz Martins da Silva e Dione Oliveira Moura, ambos da UnB.
A professora Christa Berger participará da mesa redonda Perspectiva de estudos empíricos em jornalismo. Mais sobre a programação do evento, aqui.
.
Uma via alternativa de reflexão sobre as práticas jornalísticas, por Beatriz Marocco (Unisinos)
Resumo: Trata-se de um modo alternativo de exploração das práticas jornalísticas. No nível do saber, articulam-se: a memória do pesquisador como jornalista profissional, o parentesco identificado com um conjunto de conceitos sobre procedimentos de controle discursivo, dados de uma enquete com 130 repórteres brasileiros. Nesta conjunção entre conceitual e empírico, pretende-se produzir “ação de teoria” em que se definem, com base nas ideias dos repórteres, alguns traços da mecânica jornalística que subjaz ao funcionamento do jornal.
.
(Angela Zamin)
A professora Christa Berger participará da mesa redonda Perspectiva de estudos empíricos em jornalismo. Mais sobre a programação do evento, aqui.
.
Uma via alternativa de reflexão sobre as práticas jornalísticas, por Beatriz Marocco (Unisinos)
Resumo: Trata-se de um modo alternativo de exploração das práticas jornalísticas. No nível do saber, articulam-se: a memória do pesquisador como jornalista profissional, o parentesco identificado com um conjunto de conceitos sobre procedimentos de controle discursivo, dados de uma enquete com 130 repórteres brasileiros. Nesta conjunção entre conceitual e empírico, pretende-se produzir “ação de teoria” em que se definem, com base nas ideias dos repórteres, alguns traços da mecânica jornalística que subjaz ao funcionamento do jornal.
.
(Angela Zamin)
10 março 2011
Livro problematiza o acontecimento jornalístico
O livro “Jornalismo e acontecimento: mapeamentos críticos” (Editora Insular, 2010), organizado por Marcia Benetti e Virginia Pradelina da Silveira Fonseca, é o primeiro livro produzido no âmbito do convênio de cooperação Procad/CAPES que reúne os programas de pós-graduação em Comunicação da UNISINOS, UFMG, UFRGS e UFSC, através do Procad/Capes. Trata-se de pesquisa que investiga o conceito de acontecimento em perspectiva multidisciplinar para formar uma epistemologia do acontecimento jornalístico.
A obra traz dez textos que problematizam o acontecimento jornalístico. Foram revisadas criticamente as teorias sobre a temática do acontecimento, contextualizando-as e trazendo-as para a reflexão no interior das teorias do jornalismo. Este livro resulta deste empreendimento teórico, ao qual se deve o seu caráter de mapeamentos críticos. Está organizado em três partes. Interfaces disciplinares, textos que pensam o jornalismo a partir de sua relação com outros campos do conhecimento, especialmente a sociologia, a filosofia, a história, a arte e a semiótica. Incursões sistematizadoras, mapeamentos mais específicos do jornalismo, trabalhando abordagens, tipologias e estatutos do acontecimento. Reflexões aplicadas, escritos que articulam a reflexão teórica sobre acontecimento a estudos aplicados sobre noticiabilidade, agendamento e enquadramento.
.
(Angela Zamin)
03 março 2011
Caco Barcellos na Unisinos
O jornalista Caco Barcellos estará na Unisinos no dia 11 de março, sexta-feira, no Auditório Central (junto ao Centro 1), em São Leopoldo. O apresentador do Profissão Repórter, da Rede Globo, participa de pesquisa coordenada pela professora Dra. Beatriz Marocco, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação - PPGCOM. O evento começa às 20 horas, é direcionado a estudantes de graduação e pós-graduação em Comunicação, mas aberto à comunidade acadêmica. Não requer inscrição e é gratuito. Trata-se de uma entrevista pública.
.(Felipe de Oliveira)
(Foto: divulgação / Rede Globo)
01 dezembro 2010
Eleições 2010: quem quer ser presidente? Leia o jornal
Sob a égide dos critérios de noticiabilidade, jornalismo brasileiro cria seu próprio “cenário eleitoral” no imaginário do eleitor/leitor.
Quem quer ser presidente do Brasil? Se você ainda não sabe, leia o jornal. Seriam três, talvez quatro candidatos. Vamos lá: Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV)...Talvez Plínio de Arruda Sampaio (PSOL)? Às vezes.
Faltam pouco mais de 15 dias para o primeiro turno das Eleições Gerais de 2010 e os principais jornais brasileiros já decidiram: você tem três opções, no máximo quatro. Esqueça que nos registros do TSE constam nove concorrentes . Sim, mas e o eleitor/leitor, como fica? E a sua liberdade de escolha? Bem, meu caro, o jornalismo tem seus critérios de noticiabilidade.
Descubra, então, quais são os critérios quando o assunto é Eleições 2010, segundo a Rede Globo, maior grupo de comunicação do país. Na edição do Jornal Nacional de 12 de agosto, Willian Bonner, âncora, explica:
“o critério da TV Globo foi entrevistar, na bancada dos telejornais, em 12 minutos, os candidatos de partidos com representação na Câmara que tenham ao menos 3% das intenções de voto nas pesquisas eleitorais, sem considerar a margem de erro.” (BONNER, 2010)
Pois Bem. A legislação brasileira não prevê critérios para a cobertura editorial do processo eleitoral. Se o fizesse, estaria cerceando a liberdade de imprensa, diriam os “guardiões da democracia”. Diz a Lei Federal número 9.504/97, no entanto, que para os debates de rádio e televisão devem ser convidados todos os candidatos com representação na Câmara dos Deputados. Portanto, o critério, nesse caso, é legal. Não jornalístico.
O que a Rede Globo faz quando estabelece sua “cláusula de barreiras” para entrevistas com os candidatos é nada mais do que aplicar seu próprio critério de noticiabilidade. Interessa noticiar os que alcançam mais de 3% das intenções de voto nas pesquisas. Os jornais de referência também fazem do índice, a rigor, seu critério. Criam, assim, no imaginário do eleitor/leitor um “cenário eleitoral” composto por três candidatos. Quatro... Mas um deles é coadjuvante. O PSOL tem deputados federais, mas Plínio de Arruda Sampaio não atinge 1% das intenções de voto. Teve três minutos no Jornal Nacional. Que dirão os demais!
Temos, então, os candidatos sobre os quais a mídia quer que a sociedade seja informada. Apropriando-se do que trata Maíra Rodrigues Gomes em Poder no Jornalismo (Hacker, 2003), haveria no processo de construção do tal “cenário eleitoral” a tentativa de disciplinar a interpretação que fará o leitor das eleições . Ou seja, uma tentativa de definir quem, de fato - não de direito -, disputa a Presidência da República.
Pauta = náuseas
E segue a pauta “eleições no Brasil”. Como se não bastasse “escolher” pelo eleitor/leitor os candidatos, a mídia disciplina também o que saber sobre a disputa. Sempre sobre a égide dos critérios de noticiabilidade, é claro. Já ouviu falar nos últimos dias de quebra de sigilo fiscal? Denúncias de intervenção política na Receita Federal? O que propõem os candidatos, não interessa. Não muito.
Na edição de 14 de setembro de 2010 de Zero Hora, o editorial principal intitula-se “Pauta Negativa”. Posicionava-se o jornal gaúcho a favor de uma pauta que discutisse o futuro do país, não denúncias. No noticiário, denúncias. De dar náuseas, como bem elabora Ignacio Ramonet, no que chama de “mimetismo”:
"O mimetismo é aquela febre que se apodera repentinamente da mídia (confundindo todos os suportes), impelindo-a na mais absoluta urgência, a precipitar-se para cobrir um acontecimento (seja qual for) sob pretexto de que os outros meios de comunicação – e principalmente a mídia de referência – lhe atribuam uma grande importância. Essa imitação delirante, levada ao extremo, provoca um efeito bola-de-neve e funciona como uma espécie de auto-intoxicação: quanto mais os meios de comunicação falam de um assunto, mais se persuadem, coletivamente, de que este assunto é indispensável, central, capital, e que é preciso dar-lhe ainda mais cobertura, consagrando-lhe mais tempo, mais recursos, mais jornalistas. Assim os diferentes meios de comunicação se auto-estimulam, superexcitam uns aos outros, multiplicam cada vez mais as ofertas e se deixam arrastar para a superinformação numa espécie de espiral vertiginosa, inebriante, até a náusea" (RAMONET, 2001, p.20-21).
Referências
BONNER, Willian. Jornal Nacional. Portal G1. São Paulo, 12 agosto 2010. Disponível em: . Acesso em: 13 setembro 2010.
GOMES, Mayra Rodrigues (2003). Poder no Jornalismo: Discorrer, disciplinar, controlar. São Paulo, Hacker.
RAMONET, Ignacio (2001). A tirania da comunicação. Petrópolis, Vozes.
(Autor: Felipe de Oliveira)
Marcadores:
Crítica das Práticas Jornalísticas
08 novembro 2010
Chamada ou slogan?
Fotografia: Zero Hora, 21/06/2010 |
Com freqüência, tem me chamado a atenção a quantidade de marcas publicitárias presentes em fotografias jornalísticas. Não me refiro a episódios de merchandising, comuns nas coberturas esportivas, por exemplo. Mas, a marcas publicitárias singelamente presentes em cenários que compõe as notícias e que, por um provável descuido do fotógrafo ou despreocupação da editoria, acabam por fazer parte de um espaço que aparentemente não lhes pertence. Se estes casos já parecem estranhos, o que dizer então de situações em que além de estar presente na fotografia que ilustra a matéria, a marca publicitária “conversa” com o conteúdo jornalístico apresentado?
Em seu artigo A supressão das notícias importantes, Edward Alsworth Ross já refletia sobre uma imprensa tomada por anúncios, o que classificou como “comercialização da imprensa”. Ainda hoje, podemos perceber esta invasão da publicidade aos meios impressos, que muitas vezes ocorre de forma híbrida, quando as marcas, por exemplo, se travestem de características próprias do veículo jornalístico. Uma situação de hibridismo tal, que o leitor não consegue mais discernir o que é notícia do que é propaganda. Este hibridismo contrasta com uma das preocupações de Ross, ao alertar que “a difusão das notícias e da publicidade são duas funções essencialmente diferentes que, por razões de conveniência, são realizadas pela mesma organização”.
No exemplo abaixo, capa da Zero Hora do dia 21/06/2010, há uma clara relação entre a chamada “Brasil Decola”, com a marca da companhia aérea Fly Emirates, presente ao fundo da cena na fotografia. Um “conversa” evidente e intencional entre a chamada e a marca publicitária. No entanto, extremamente singela. Ao utilizar-se de técnicas próprias da publicidade, misturando-as à linguagem jornalística, o editor responsável pelo conteúdo afinal produziu uma capa de jornal ou um anúncio publicitário?
.
(Autor: Robert Thieme)
.
Marcadores:
Crítica das Práticas Jornalísticas
06 novembro 2010
Ética na TV: participação do cidadão na crítica da programação televisiva
Se a mídia vai mal, a sociedade deve ter mecanismos para intervir. Isso pode ser feito através de meios que possam “incitar” a mídia a cumprir bem o seu papel. No Brasil, ainda são raras as iniciativas que, sem a intervenção governamental, conseguem pressionar e dar voz ao cidadão na crítica à qualidade da programação dos meios de comunicação de massa. Um dos exemplos é a campanha “Quem financia a baixaria é contra a cidadania”, lançada em 2002 pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e organizações da sociedade civil.
A campanha pode ser considerada como um Sistema de Responsabilização da Mídia (Media Accountability Systems – MAS), proposto por Claude-Jean Bertrand (2002). Ou seja, “um sistema que pode promover mecanismos de controle de qualidade, educação contínua e a devolução aos cidadãos os direitos humanos que os medias costumeiramente confiscam”. Os MAS discutem a viabilidade e importância de um controle social midiático que amplifique a crítica da sociedade com relação, por exemplo, à qualidade dos meios de comunicação de massa.
“Quem financia...” promove o acompanhamento permanente da programação da televisão para indicar programas que – de forma sistemática – desrespeitam convenções internacionais assinadas pelo Brasil, princípios constitucionais e legislação em vigor que protegem os direitos humanos e a cidadania. O “ranking da baixaria” é listado no site da campanha (http://www.eticanatv.org.br/), e os excessos indicados por denúncias são encaminhados ao Ministério Público. É uma iniciativa importante, mas de resultados que ainda esperam ser ampliados.
A problemática da regulação da função social da mídia não pode ser resumida ao modelo simplista de “mude o canal se não estiver satisfeito” como única forma de protestar contra a tendenciosidade da programação televisiva. É imperativo criar mecanismos que tornem os meios de comunicação mais responsivos ao que deles se exige legalmente. Iniciativas a partir de uma vigilância social sobre os meios de comunicação podem tornar a mídia mais sensível à sua função social e política. Serviriam também para o fortalecimento de uma cultura de participação democrática do cidadão na organização da programação televisiva.
(Autor: Luis Fernando Assunção)
Marcadores:
Crítica das Práticas Jornalísticas
04 novembro 2010
A crítica da cobertura das eleições no OI: um espaço democrático?
O site Observatório da Imprensa (OI) é um espaço de discussão e militância sobre as boas práticas jornalísticas. É evidente que esse veículo de crítica midiática representa um avanço para a sociedade. É exatamente o caráter interativo que pode contribuir para uma participação mais eficaz do seu público no debate sobre o que a mídia produz. Porém, quando se trata de assuntos acerca da cobertura das eleições 2010, surge a dúvida: O OI se constitui em um espaço democrático e seguro de formação de opinião pública?
Considerando que o ato de criticar é relativo e autônomo, por ser o julgamento do mérito pertencente à ordem da liberdade de espírito, a ideia exposta e compartilhada pelos articulistas tem inúmeras possibilidades e probabilidades de produção de sentidos. Por esse motivo, é importante a consideração de outros fatores contextuais aos artigos publicados. A intenção aqui é analisar e clarificar os conceitos básicos que norteiam o trabalho desenvolvido por articulistas do OI no que se refere à cobertura jornalística sobre as eleições presidenciáveis. O eixo condutor dessa reflexão está baseado na ideia de que a crítica não pode apresentar uma avaliação puramente subjetiva, mas também, deve oferecer uma descrição de aspectos objetivos concretos que deem sustentação aos argumentos.
Nessa perspectiva, os artigos apresentados até o momento no OI são exercícios intelectuais e lógicos que se opõem ao tratamento dado pela grande mídia. Como exemplo, no artigo do dia 7 de setembro de 2010, “O jornalismo de simulacros”, assinado pelo jornalista Washington Araújo, explicita-se uma revolta sobre a abordagem do caso da violação do sigilo fiscal de cinco personalidades ligadas ao PSDB, sendo que a estrela-vítima é Verônica Serra, filha do candidato à presidência, José Serra. A posição de repúdio desenvolvida no texto contempla a contextualização da experiência ideológica do jornalista que também é colunista do Portal esquerdista, Carta Maior.
Para Washington Araújo, a construção das notícias se faz no âmbito do denuncismo, sem apurações mais contundentes. Além disso, ele diz que os espaços nobres dos grandes jornais impressos, revistas e portais do país se transformaram em editoriais com declarações explícitas da posição contrária à candidata do PT, Dilma Rousseff. O articulista argumenta que esses veículos jornalísticos já se apoderaram da suposta verdade, proferindo sentenças finais em suas redações/tribunais. A condenação pela imprensa está vinculada à noção de poder discursivo, uma qualidade vicária do jornalismo.
O que se constata nas críticas do OI sobre a cobertura das eleições são denúncias alarmantes do abuso do direito à liberdade de expressão das empresas jornalísticas, do desalinhamento explícito da imprensa brasileira com a campanha política de Dilma Rousseff, ou do engajamento da grande mídia na oposição à candidata. Os artigos geram inúmeros comentários de internautas das mais variadas áreas de atuação. A maioria deles contempla a opinião dos articulistas. Em contrapartida, há os que discordam e não medem palavras para explicitarem suas opiniões.
A estrutura observada é porosa, porque apesar dos argumentos serem coerentes e comprovados, essas denúncias se constroem basicamente pela posição político-partidária dos críticos e, principalmente, pela postura da nova crítica, defendida por Ciro Marcondes Filho, de assumir oposições e paradoxos para conviverem em um mesmo território. É justamente esse espaço múltiplo que possibilita afirmar que no OI há abertura para a diversidade interativa e para a expansão de horizontes. Conforme José Luiz Braga, essa possibilidade de interação em um ambiente diferido e difuso gera processos interpretativos que estão além do que a mídia produz, e sim nas respostas das práticas sociais, a partir do que a sociedade apresenta. Sendo que, as ações dos articulistas e comentaristas podem se misturar e se interferirem mutuamente, caracterizando-se em contrapropositivas, interpretativas, proativas, corretoras de percurso, controladoras, seletivas, polemizadoras, laudatórias, de estímulo, de ensino, de alerta, de divulgação, venda, etc.
Com isso, pode se dizer que o espaço de crítica no OI é democrático, pois apesar da crítica especializada ser, em unanimidade, contrária à cobertura da grande mídia sobre as eleições presidenciáveis, está aberta para todas as formas de comentários, inclusive os mais ríspidos e desrespeitosos. É bem provável que exista alguma moderação de participação do internauta, mas é seguro afirmar que esse espaço exerce a competência de tensionar múltiplos processos interpretativos, gerar dinâmicas de participação e, por consequência, fornecer esclarecimento e percepção ampliada para o seu público.
(Autor: Adriana Garcia)
Marcadores:
Crítica das Práticas Jornalísticas
28 outubro 2010
Nossa reunião de novembro
A reunião de novembro do GPJor será no dia 25 de novembro, das 17 às 19h. Os profs. Christa Berger, Ronaldo Henn e Beatriz Marocco estarão apresentando e colocando em debate, no âmbito do grupo, os resultados parciais de seus projetos de pesquisa.
Lobos no galinheiro
É mais fácil mudar o curso do Rio São Francisco, do que transformar o direito de expressão de um punhado de empresas de comunicação, numa conquista da sociedade como um todo. Assim o jornalista e professor da UNB, Washington Araújo sintetiza seu pensamento, com o qual me identifico, sobre a proposta de autorregulamentação da mídia, da Associação Nacional de Jornais.
Como o lobo cuidando do galinheiro, a entidade que em sua própria composição abriga oligopólios e monopólios, num desrespeito à Constituição, defende que ela mesma determine os limites entre a liberdade de imprensa e o direito à informação do cidadão brasileiro.
Deve haver controle sobre a mídia, nem seus barões discordam disso. Necessitam deste signo para acompanhar a onda democratizante nascente via internet. Segundo Alberto Dines, o mercado exige. Apesar da presidente da ANJ afirmar que democracias de verdade não precisam de lei de Imprensa, e evocar fora de contexto, a idéia de Cláudio Abramo: “a ética do jornalista é a ética do cidadão”.
Democracia, no entanto, pressupõe opinião de todos, como ocorre com a educação, saúde ou com o exercício da Medicina. Manifesto em Projeto de Lei da Federação Nacional dos Jornalistas, encaminhado ao Congresso, o controle social sobre a imprensa foi rechaçado pelo patronato sob a alegação de que "setores autoritários do bloco hoje dominante na política brasileira, o de Lula e Dilma, acenam com um controle `social´ sobre a mídia. Mas como formar um conselho representativo? Como evitar que esse conselho seja dominado pela militância em nome da `sociedade´? Como assegurar que suas decisões sejam`certas´?".
Justifiquemos, pois, puxando a brasa para o nosso lado, jornalistas e cidadãos: Porque os donos dos jornais querem legislar em causa própria? Quem na autoregulamentação vai representar o povo brasileiro?
.
.
(Autor: Maria Luiza Santos Soares)
Marcadores:
Crítica das Práticas Jornalísticas
26 outubro 2010
Os Cowboys do Meio-Oeste: O radiojornalismo interiorano e suas práticas comerciais
No ano de 1910, Edward Ross, um dos pioneiros da sociologia norte-americana, publica na revista Atlantic Monthly um artigo que se tornou referência nos estudos em jornalismo. O artigo “A supressão das notícias importantes” nos apresenta um diagnóstico precoce das transformações pelas quais os jornais da época estavam passando, demonstrando a divisão entre propriedade e comando editorial, um afastamento dos princípios positivistas do jornalismo como defensor da democracia e uma gradual profissionalização da área. Ross identifica uma prática de mercantilização das notícias onde determinados acontecimentos sobre alguns grupos que financiavam os jornais simplesmente eram suprimidos dos periódicos, a fim de preservar a imagem e os lucros destas empresas, Ross destaca que essas empresas eram chamadas nas redações de as “vacas sagradas”.
Hoje, percebemos que não só as práticas mercantis usadas pelos jornais na época de Ross ainda continuam em vigor, como se aperfeiçoaram de modo a ter o jornalismo não como fonte de informação, mas sim, como forma de lucrar cada vez mais com a notícia, seja publicando ou suprimindo-as. Um exemplo claro dessas práticas ocorre frequentemente no radiojornalismo interiorano. Considerado como fonte primária de informações locais por grande parte da população que reside em cidades pequenas do interior, o radiojornalismo exerce sua influência não em prol de uma pluralidade de informações e de uma postura ética em relação ao seu público. Algumas rádios do interior se especializaram em caçar e laçar as “vacas sagradas” apontadas por Ross. Sendo característica das pequenas cidades interioranas uma infraestrutura econômica simples se torna mais fácil identificar quais são essas “vacas sagradas”, o exemplo que segue é o que melhor caracteriza essa forma de caça do radiojornalismo.
Uma das principais “vacas sagradas” do radiojornalismo de interior são as agroindústrias, por várias vezes a população ribeirinha de uma cidade do meio-oeste de Santa Catarina denunciou à rádio local o vazamento de dejetos no rio que corta a cidade, sabendo que esta agroindústria é uma multinacional e não pode enfrentar problemas com relação ao meio ambiente devido à forte campanha publicitária que faz em nome da sustentabilidade, o departamento de jornalismo da rádio prepara uma ótima matéria sobre o acontecimento, com relatos dos moradores e de algumas fontes oficiais, entretanto, a matéria não vai ao ar como seria o esperado, ela vai para as mãos do pessoal do departamento comercial, que não demora em entrar em contato com a diretoria da empresa, mostrar a matéria, assinar o contrato de publicidade para emissora e arquivar a matéria.
Essa prática nos revela o verdadeiro espírito “cowboy” dos jornalistas radiofônicos do meio-oeste, mas não os cowboys heróicos apresentados pelos faroestes holywoodianos, mas sim os “cowboys” históricos que foram responsáveis pelas chacinas indígenas no oeste norte-americano e pelos roubos, saques e assassinatos de pequenos colonos que pensavam em fincar raízes e construir um lar naquela região, entretanto, os nossos “cowboys” chacinam a ética profissional do jornalismo e saqueiam o direito à informação da população que sequer tem conhecimento que está sendo lesada.
(Autor: Marlon Sandro Lesnieski)
Marcadores:
Crítica das Práticas Jornalísticas
Jogo de visibilidade e invisibilidade
![]() |
| Sebastião Salgado Fazenda Giacometti, Paraná, 1996. |
Colocar em discussão o que no interior das fotografias nos leva para fora do quadro imagético. Falar do jogo de visibilidade e invisibilidade no qual a possibilidade de “entrar e sair” é que torna latentes suas tensões. Essa poderia ser, talvez, a verdadeira vocação da crítica (ou da pesquisa) sobre fotografias: discutir a carga informativa que transborda do enquadramento e faz da imagem construída pelo fotógrafo muito menos indício do acontecimento e muito mais resultado de seus atravessamentos externos.
A marcha do MST cruzando as porteiras de uma fazenda no Paraná eternizada por Sebastião Salgado já, num primeiro momento, nos joga para fora do quadro. A neblina e o homem com a foice em punho conferem certo ar épico à cena. Ambos elementos remetem ao cinema e, mais especificamente a filmes como “Coração Valente” (1995). Porém, como um Mel Gibson às avessas, o que o nosso olhar encontra na foto de Salgado é um camponês cabisbaixo frente ao seu “exército” disperso.
O sociólogo José de Souza Martins [1] investiu sua crítica ao que considera o punctum da foto: o camponês com a foice na mão. No entanto, segundo Martins, o “enfraquecimento” da imagem não se deve ao fato do agricultor estar olhando para baixo, mas por Sebastião Salgado focá-lo a partir de dentro da fazenda. Assim, “ao atravessar a porteira, antes dos sem-terra, Salgado transfigurou completamente, com seu ato e sua fotografia, o acontecimento e a epopéia. (...) ao fazer isso, privou o ato de sua dimensão ritual, destituiu a liturgia da conquista de sua dimensão épica, dando-lhe a conotação de simulação do épico”[2].
Neste sentido, o próprio autor afirma que a sua fotografia, como qualquer outra, é uma forma de intervenção direta no que está sendo fotografado. “Quando fotografo, eu o faço com meu subconsciente, com a minha ideologia, entendida como o conjunto das minhas idéias, e é claro que a fotografia é inteiramente conduzida. Disso eu tenho consciência absoluta"[3]. Portanto, a crítica não se volta à plasticidade desse acontecimento. Mas às práticas do fotógrafo. Salgado é um fotógrafo extremamente consciente de sua busca pela beleza mesmo nas situações mais adversas, como na luta pela terra. E o impacto de suas obras se deve muito a esta qualidade estética.
O que faz essa fotografia, em específico, perder parte de sua força, não está na forma, mas no conteúdo ideológico que se dá a ver. É justamente a escolha do enquadramento que nos joga para fora da imagem. Ao escolher este ponto-de-vista, o fotógrafo faz saltar aos olhos dos espectadores o que está na ordem do invisível. Sebastião Salgado, enfim, se posiciona sobre o movimento sem-terra: invasões mediáticas, premeditadas pela objetiva.
[1] MARTINS, José de Souza. Sebastião Salgado: a epifania dos pobres da terra. IN: MAMMÌ, Lorenzo; SCHWARCZ, Lilia Moritz (ORG). 8 x fotografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p. 133-171.
[2] Idem, p. 142
[3] “Cultura: Entrevista com Sebastião Salgado - Caçador de luz” - Entrevista com o fotógrafo Sebastião Salgado realizada pelo historiador e assessor da Secretaria Agrária Nacional do Partido dos Trabalhadores no ano de 1999, Rogério Sottili, publicada no site da Fundação Perceu Abramo em 17/04/2006. Disponível em: http://www.fpabramo.org.br/o-que-fazemos/editora/teoria-e-debate/edicoes-anteriores/cultura-entrevista-com-sebastiao-salgado-ca.
(Autor: Júlia Capovilla)
Marcadores:
Crítica das Práticas Jornalísticas
21 outubro 2010
“Creo en el periodismo"
“Creo en el periodismo. Da igual publicar en papel o en Internet”. A afirmação é do jornalista Ramón Lobo, do El País, que na terça, 19, participou da conferência “Explicar a guerra em tempos de internet”, realizada na Caixa Fórum de Barcelona. Correspondente em guerras ou conflitos no Iraque, Bósnia-Herzegovina, Croácia, Servia, Kosovo, Haiti, Afeganistão, Líbano, Israel e Palestina, Filipinas, Quênia, Ruanda, Congo, Guinea Equatorial, Guinea Conakry, Etiópia, Serra Leoa, Uganda, Nigéria, Zimbábue, Namíbia, Libéria, Nigel, Moçambique, África do Sul, Suazilândia, Somália, o jornalista falou da relação entre jornalismo e internet no âmbito das coberturas internacionais, refletindo sobre estas.
Para Lobo, a internet oferece vantagens para correspondentes e enviados especiais, especialmente, por simplificar os processos de transmissão, o que lhes possibilita “más tiempo para ir por la calle”. Se de um lado, segundo o correspondente, a internet auxilia na busca por informações – já não preciso viajar com um caderno com a relação das autoridades de determinado lugar, disse; por outro, não significa que as informações ali disponíveis sejam de melhor qualidade.
Quanto à experiência como correspondente de guerra, Lobo afirma se sentir fracassado como jornalista. “Não alteramos nada”, afirma. “Bósnia e Servia se repetem agora em outros lugares”, acrescenta. “A guerra em Sarajevo foi um grande fracasso coletivo de jornalistas; quatro anos lá e não pudemos mudar nada”, conclui. Muito de sua experiência está em livros como O herói inexistente, publicado em 1999, ou no recém-lançado Cadernos de Cabul. O jornalista participou também de duas obras coletivas: Os olhos da guerra, de 2001, e Seguiremos informando, também de 2010.
.
Crise na indústria informativa
Outro tema explorado por Ramón Lobo é a atual crise na imprensa. O jornalista estabeleceu diferenças entre a crise no setor de jornais e no jornalismo. Em relação à gestão dos jornais pairam incertezas quanto ao jornalismo na web, suas formas de financiamento e uso. Rámon Lobo recorda que os jornais que tentaram cobrar pelo acesso as suas versões digitais tiverem um decréscimo no número de leitores e viram-se forçados a voltar atrás nesta decisão.
Para Lobo, um dos principais problemas do jornalismo na atualidade é que ele se faz a partir de referências, um jornalismo de citações entre aspas, em abandono as histórias que existem por trás das pessoas. Ainda segundo Lobo, tampouco na Internet há espaço para este tipo de narrativa. Quanto à crise no jornalismo, diz que é preciso contar histórias distintas nas versões em papel e digital dos jornais e que a grande virada está em fazer um jornalismo atrativo, que desperte o interesse e que leva a audiência a desejar comprá-lo.
.
Angela Zamin, de Barcelona
Para Lobo, a internet oferece vantagens para correspondentes e enviados especiais, especialmente, por simplificar os processos de transmissão, o que lhes possibilita “más tiempo para ir por la calle”. Se de um lado, segundo o correspondente, a internet auxilia na busca por informações – já não preciso viajar com um caderno com a relação das autoridades de determinado lugar, disse; por outro, não significa que as informações ali disponíveis sejam de melhor qualidade.
Quanto à experiência como correspondente de guerra, Lobo afirma se sentir fracassado como jornalista. “Não alteramos nada”, afirma. “Bósnia e Servia se repetem agora em outros lugares”, acrescenta. “A guerra em Sarajevo foi um grande fracasso coletivo de jornalistas; quatro anos lá e não pudemos mudar nada”, conclui. Muito de sua experiência está em livros como O herói inexistente, publicado em 1999, ou no recém-lançado Cadernos de Cabul. O jornalista participou também de duas obras coletivas: Os olhos da guerra, de 2001, e Seguiremos informando, também de 2010.
.
Crise na indústria informativa
Outro tema explorado por Ramón Lobo é a atual crise na imprensa. O jornalista estabeleceu diferenças entre a crise no setor de jornais e no jornalismo. Em relação à gestão dos jornais pairam incertezas quanto ao jornalismo na web, suas formas de financiamento e uso. Rámon Lobo recorda que os jornais que tentaram cobrar pelo acesso as suas versões digitais tiverem um decréscimo no número de leitores e viram-se forçados a voltar atrás nesta decisão.
Para Lobo, um dos principais problemas do jornalismo na atualidade é que ele se faz a partir de referências, um jornalismo de citações entre aspas, em abandono as histórias que existem por trás das pessoas. Ainda segundo Lobo, tampouco na Internet há espaço para este tipo de narrativa. Quanto à crise no jornalismo, diz que é preciso contar histórias distintas nas versões em papel e digital dos jornais e que a grande virada está em fazer um jornalismo atrativo, que desperte o interesse e que leva a audiência a desejar comprá-lo.
.
Angela Zamin, de Barcelona
17 outubro 2010
Os mineiros e a esclerosidade midiática
O cinema transforma fatos do presente e do passado em narrativas audiovisuais. Obviamente, o transporte dessas histórias às telas impõe uma série de técnicas, desde a captação fragmentada das cenas até o resumo de complexidades para se ajustar em um período aproximado de duas horas. A “versão do diretor” justifica o recorte da história em detrimento de fatos considerados menos importantes, ou que não poderiam ser incluídos na trama em razão do já citado tempo de exibição. Talvez uma receita de Hollywood para não deixar esquentar os copos de refrigerantes dos espectadores.
Por vezes ocorre o inverso e fatos reais se aproximam muito de histórias que o cinema já contou. O último caso, e que estrela no agendamento da imprensa mundial, é o resgate dos 33 trabalhadores soterrados em uma mina no deserto do Chile por quase 70 dias. O diretor Billy Wilder contou, em 1951, a história de Charles Tatum, um jornalista “marrom” que se aproveita de um acidente em uma mina localizada no interior dos Estados Unidos e transforma o fato em um verdadeiro espetáculo, mas com um final trágico. O nome da trama nos Estados Unidos teve um nome sugestivo: “Big Carnival”.
Certamente não esperávamos atravessamentos e consequências da manada midiática no caso do Chile como no cinema de Wilder, mas o que ocorre agora com a história dos mineiros presos contada pela imprensa parece ser a mesma que determina um padrão para o cinema. Um padrão de mais romantizar o drama das pessoas presas 700 metros abaixo da superfície, do que contextualizar o fato com questões mais profundas, como por exemplo, agendar a discussão sobre a mineração, um dos mais degradantes trabalhos realizados pelo homem. Deslocamo-nos de um ponto a outro do planeta em horas, trocamos de tudo por meio de fibras óticas e vivemos numa tal pós-modernidade. E, mesmo nessa “avançada” fase da humanidade, precisamos ainda de pessoas trabalhando embaixo da terra. Mas em quais condições? Essa fatalidade não foi a primeira, não será a última e a imprensa não retoma diversos outros casos tão trágicos como o que ocorreu no Chile.
Existe um termo na imprensa, cunhado por Edward Ross, que define a proteção às atividades capitalistas, instituições governamentais ou personalidades intocáveis, as chamadas “vacas sagradas”. Ao que parece, a mineração é uma dessas vacas. Diferente da indústria tabagista, de plástico e de petróleo, ela ainda não foi agendada. Cabe saber da imprensa o motivo. Se o cinema, às vezes, elimina o complexo para fazer caber em seu padrão audiovisual, a imprensa faz o mesmo com questões humanas para apenas tapar sua grade de programação, mas esquece que poderia fazer diferente e atuar como agente mobilizador. Jornalistas ainda se amparam em uma tal objetividade para apenas narras fatos e, o pior de tudo, incompletos. Como já citou a pesquisadora Mar de Fontcuberta, falta o contexto e sobra o jornalismo mosaico, um sintoma que só poderíamos definir como a esclerosidade midiática, quando parece faltar memória na imprensa. Afinal, é preferível pensar assim a acreditar que o jornalismo ainda proteja interesses financeiros de grandes grupos focados no extrativismo a qualquer custo.
No entanto, aplaudimos nossa atividade em saber que um dos mineiros presos viu sua filha recém nascida por meio de uma tela. Ou que permitimos ao mundo acompanhar o resgate desses trabalhadores. Parece ser apenas esse nosso consolo como jornalistas. Um dos mineiros resgatados, Mario Sepúlveda, já deu o recado: “não nos trate como artistas. Somos mineiros.”.
.
(Autor: Giovanni Rocha)
Marcadores:
Crítica das Práticas Jornalísticas
Próxima reunião do GPJor
A próxima reunião do Grupo de Pesquisa em Jornalismo será no dia 20/10, quarta-feira, às 17 horas, no PPGCOM. Durante o encontro, os mestrandos Giovanni Rocha e Marlon Lesnieski apresentarão o tema “Estudo de Caso”, com base nos seguintes textos:
DUARTE, Márcia Yukiko Matssuchi. Estudo de caso. IN: DUARTE, Jorge; BARROS, Antonio (org.). Métodos e técnicas de pesquisa em comunicação. 2.ed. São Paulo: Atlas, 2008, p.215-235.
GOLDENBERG, Mirian. Estudos de caso. IN:_____. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em Ciências Sociais. 2.ed. Rio de Janeiro: Record, 1998, p. 33-35.
GOLDENBERG, Mirian. O método biográfico em Ciências Sociais. IN:_____. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em Ciências Sociais. 2.ed. Rio de Janeiro: Record, 1998, p. 36-43.
A bibliografia indicada acima também deverá ser lida por todos participantes do encontro.
(Júlia Capovilla)
DUARTE, Márcia Yukiko Matssuchi. Estudo de caso. IN: DUARTE, Jorge; BARROS, Antonio (org.). Métodos e técnicas de pesquisa em comunicação. 2.ed. São Paulo: Atlas, 2008, p.215-235.
GOLDENBERG, Mirian. Estudos de caso. IN:_____. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em Ciências Sociais. 2.ed. Rio de Janeiro: Record, 1998, p. 33-35.
GOLDENBERG, Mirian. O método biográfico em Ciências Sociais. IN:_____. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em Ciências Sociais. 2.ed. Rio de Janeiro: Record, 1998, p. 36-43.
A bibliografia indicada acima também deverá ser lida por todos participantes do encontro.
(Júlia Capovilla)
19 julho 2010
Jornalistas estrangeiros debatem exercício profissional e acesso aos meios na Espanha
Paula Vivanco, jornalista italiana; Hassan Akioud, do Observatório Linguamón de la Llengua Amaziga, da UAB; e a moderadora Verónica Chelotti, do SPC
.
“Periodistes d'aquí i d'allà: informació de tothom” foi a tema da II Jornada de Periodistes de Mitjans per a la Immigració (Jornada de Jornalistas de Meios para a Imigração) realizada sexta, dia 16, no Auditório da Biblioteca Francesca Bonnemaison, em Barcelona, numa promoção conjunta dos Sindicatos de Jornalistas da Catalunha (SPC) e de Profissionais da Comunicação, com apoio da Federação de Sindicatos de Jornalistas, secretarias de Meios de Comunicação e para a Imigração da Generalitat e Diputació de Barcelona. O evento reuniu jornalistas de diversos países, especialmente latino-americanos e marroquinos, que trabalham em meios de comunicação para a imigração ou generalistas na Espanha.
Realizado com o objetivo de tratar do exercício da profissão, o evento possibilitou conhecer a realidade do mercado de trabalho e as dificuldades enfrentadas no dia-a-dia por jornalistas imigrantes. Entre os desafios, segundo Dardo Gómez, secretário da Federação de Sindicatos de Jornalistas, estão: ausência de regulamentação da profissão, o que permite a qualquer pessoa trabalhar como jornalista; 45% dos jornalistas não possuem nenhum tipo de cobertura ou assistência; não há uma lei de autoria e atualmente está em tramitação uma lei que prevê a autoria coletiva, favorável aos meios e não aos profissionais; os imigrantes não possuem contrato algum, sendo dispensados nos meses de férias.
A prática profissional na Espanha foi debatida em relação à vizinha Itália, país onde há regulamentação, além de exigência de estar inscrito no sindicato para atuar como jornalista. Se por um lado tal situação é favorável ao exercício profissional, por outro o torna impraticável para imigrantes que não possuem cidadania ou passaporte italiano, já que somente os cidadãos italianos, ou reconhecidos legalmente como tal, podem ser incluídos no sindicato. Tal condição levou à criação da Associazione Stampa Nazionale Interculturale (ANSI), um braço do sindicato de jornalistas, que visa a debater a inserção dos imigrantes, especialmente de segunda e terceira geração, nos meios de comunicação. Presente no evento, a vice-presidente da ANSI, a jornalista chilena Paula Vivanco, destacou que para além da regulamentação que impede a inserção de estrangeiros, as empresas são familiares e é importante “conocer a la persona justa” para trabalhar como jornalista, mesmo com registro no sindicato.
Outra questão tratada no evento é o acesso dos profissionais estrangeiros aos meios generalistas, que atualmente está gerando um debate sobre implantação ou não de cotas de imigrantes nos meios espanhóis. Os jornalistas estrangeiros convergem quanto à necessidade do acesso, mas não concordam com a política de cotas. Por argumentos divergentes, os meios também são contrários às cotas. A diretora da TV3, da Catalunha, Mònica Terribas, por exemplo, diz que a emissora consegue ser plural ao convidar especialistas para participar de seus programas. Ainda, que a pluralidade não está na participação de um imigrante falando de temas relacionados ao seu país, mas tratando de outros assuntos.
Mònica Terribas, diretora da TV3; a moderadora Nadal, da Fundação Bofill e vice-presidenta da Mesa per a la diversitat audiovisual del CAC; Marco Schwartz, colombiano, diretor de opinião do diário Públic; e Esther Samper, da Catalunya Radio.
.
Direito à Informação
Dardo Gómez, secretário da Federação de Sindicatos de Jornalistas
.
O acesso à informação levou a Federação de Sindicatos de Jornalistas a desenvolver campanha no sentido de orientar os cidadãos de que eles são os proprietários da informação e não os meios. Ainda, que precisam exigir dos políticos a regulamentação do direito à informação. Para o secretário da Federação de Sindicatos de Jornalistas, Dardo Gómez, “o problema para a informação não são os políticos, mas os meios de comunicação e seus proprietários”. A proposição desta campanha também se espelha no país vizinho e, neste sentido, há o contraponto de que apesar da mobilização por acesso à informação na Itália, há a “lei da mordaça” de Berlusconi, e o esfacelamento dos meios públicos e crescimento dos privados, diante do argumento de que os primeiros estão a serviço de um governo. Vale ressaltar que os meios privados são de propriedade do atual Primeiro Ministro.
Em relação ao acesso à informação, a jornalista chilena Paula Vivanco, que reside na Itália, destaca que falta incluir os imigrantes no termo cidadãos. “Os imigrantes também são cidadãos. Muitos se dão conta de como são representados pela mídia depois de muitos anos no país, quando têm um domínio maior do idioma”, acrescenta.
.
Competências dos jornalistas estrangeiros
Stroe Iancu Marian, romenio; Tan Hui, chinesa; moderador Siscu Baiges, COM Radio; Rafael Monroy mexicano; e Claudia Cucchiarato, italiana.
.
Aos jornalistas imigrantes na Espanha cabe falar de imigração, seja nos meios para a imigração ou nos generalistas. Entre os palestrantes, Stroe Iancu Marian Claudiu, romenio que atua na Revista Raíz, de Madrid; Tan Hui, chinesa que trabalha na Barcelona Televisiò; e Rafael Monroy, mexicano da Mundo Hispano e Agència Diversimedia, ambas de Barcelona, compartilham a experiência de que é diferente trabalhar desde a Espanha para o país de origem, que para uma empresa espanhola. Nestas lhes cabe duas funções: a) ou falar das temáticas que circundam a imigração, como o narcotráfico, no caso de jornalistas colombianos e mexicanos, e terrorismo, para os de origem muçulmana; b) ou fazer programas voltados aos demais imigrantes de mesma nacionalidade, na língua do país de origem, e às vezes bilíngües já que o catalão é uma exigência nos meios públicos da Catalunha. A jornalista chinesa, Tan Hui, por exemplo, produz programa em chinês.
Estes jornalistas compartilham também o desejo de falar de temas locais. Para Claudia Cucchiarato, correspondente do italiano L'Unità, os imigrantes escrevem sobre seus países, mas poderiam tratar questões locais desde perspectivas externas, o que contribuiria para uma produção mais global e diversa.
A jornalista chilena Paula Vivanco falou, ainda, da dificuldade em manter meios para a imigração na Itália, mesmo que alternativos, uma vez que a lei permite apenas aos jornalistas registrados atuar como redatores responsáveis. Tal situação faz com que jornalistas italianos assinem publicações que desconhecem o conteúdo por não dominarem a língua em que está redigido.
.
Angela Zamin, de Barcelona
.
“Periodistes d'aquí i d'allà: informació de tothom” foi a tema da II Jornada de Periodistes de Mitjans per a la Immigració (Jornada de Jornalistas de Meios para a Imigração) realizada sexta, dia 16, no Auditório da Biblioteca Francesca Bonnemaison, em Barcelona, numa promoção conjunta dos Sindicatos de Jornalistas da Catalunha (SPC) e de Profissionais da Comunicação, com apoio da Federação de Sindicatos de Jornalistas, secretarias de Meios de Comunicação e para a Imigração da Generalitat e Diputació de Barcelona. O evento reuniu jornalistas de diversos países, especialmente latino-americanos e marroquinos, que trabalham em meios de comunicação para a imigração ou generalistas na Espanha.
Realizado com o objetivo de tratar do exercício da profissão, o evento possibilitou conhecer a realidade do mercado de trabalho e as dificuldades enfrentadas no dia-a-dia por jornalistas imigrantes. Entre os desafios, segundo Dardo Gómez, secretário da Federação de Sindicatos de Jornalistas, estão: ausência de regulamentação da profissão, o que permite a qualquer pessoa trabalhar como jornalista; 45% dos jornalistas não possuem nenhum tipo de cobertura ou assistência; não há uma lei de autoria e atualmente está em tramitação uma lei que prevê a autoria coletiva, favorável aos meios e não aos profissionais; os imigrantes não possuem contrato algum, sendo dispensados nos meses de férias.
A prática profissional na Espanha foi debatida em relação à vizinha Itália, país onde há regulamentação, além de exigência de estar inscrito no sindicato para atuar como jornalista. Se por um lado tal situação é favorável ao exercício profissional, por outro o torna impraticável para imigrantes que não possuem cidadania ou passaporte italiano, já que somente os cidadãos italianos, ou reconhecidos legalmente como tal, podem ser incluídos no sindicato. Tal condição levou à criação da Associazione Stampa Nazionale Interculturale (ANSI), um braço do sindicato de jornalistas, que visa a debater a inserção dos imigrantes, especialmente de segunda e terceira geração, nos meios de comunicação. Presente no evento, a vice-presidente da ANSI, a jornalista chilena Paula Vivanco, destacou que para além da regulamentação que impede a inserção de estrangeiros, as empresas são familiares e é importante “conocer a la persona justa” para trabalhar como jornalista, mesmo com registro no sindicato.
Outra questão tratada no evento é o acesso dos profissionais estrangeiros aos meios generalistas, que atualmente está gerando um debate sobre implantação ou não de cotas de imigrantes nos meios espanhóis. Os jornalistas estrangeiros convergem quanto à necessidade do acesso, mas não concordam com a política de cotas. Por argumentos divergentes, os meios também são contrários às cotas. A diretora da TV3, da Catalunha, Mònica Terribas, por exemplo, diz que a emissora consegue ser plural ao convidar especialistas para participar de seus programas. Ainda, que a pluralidade não está na participação de um imigrante falando de temas relacionados ao seu país, mas tratando de outros assuntos.
Mònica Terribas, diretora da TV3; a moderadora Nadal, da Fundação Bofill e vice-presidenta da Mesa per a la diversitat audiovisual del CAC; Marco Schwartz, colombiano, diretor de opinião do diário Públic; e Esther Samper, da Catalunya Radio.
.
Direito à Informação
Dardo Gómez, secretário da Federação de Sindicatos de Jornalistas
.
O acesso à informação levou a Federação de Sindicatos de Jornalistas a desenvolver campanha no sentido de orientar os cidadãos de que eles são os proprietários da informação e não os meios. Ainda, que precisam exigir dos políticos a regulamentação do direito à informação. Para o secretário da Federação de Sindicatos de Jornalistas, Dardo Gómez, “o problema para a informação não são os políticos, mas os meios de comunicação e seus proprietários”. A proposição desta campanha também se espelha no país vizinho e, neste sentido, há o contraponto de que apesar da mobilização por acesso à informação na Itália, há a “lei da mordaça” de Berlusconi, e o esfacelamento dos meios públicos e crescimento dos privados, diante do argumento de que os primeiros estão a serviço de um governo. Vale ressaltar que os meios privados são de propriedade do atual Primeiro Ministro.
Em relação ao acesso à informação, a jornalista chilena Paula Vivanco, que reside na Itália, destaca que falta incluir os imigrantes no termo cidadãos. “Os imigrantes também são cidadãos. Muitos se dão conta de como são representados pela mídia depois de muitos anos no país, quando têm um domínio maior do idioma”, acrescenta.
.
Competências dos jornalistas estrangeiros
Stroe Iancu Marian, romenio; Tan Hui, chinesa; moderador Siscu Baiges, COM Radio; Rafael Monroy mexicano; e Claudia Cucchiarato, italiana.
.
Aos jornalistas imigrantes na Espanha cabe falar de imigração, seja nos meios para a imigração ou nos generalistas. Entre os palestrantes, Stroe Iancu Marian Claudiu, romenio que atua na Revista Raíz, de Madrid; Tan Hui, chinesa que trabalha na Barcelona Televisiò; e Rafael Monroy, mexicano da Mundo Hispano e Agència Diversimedia, ambas de Barcelona, compartilham a experiência de que é diferente trabalhar desde a Espanha para o país de origem, que para uma empresa espanhola. Nestas lhes cabe duas funções: a) ou falar das temáticas que circundam a imigração, como o narcotráfico, no caso de jornalistas colombianos e mexicanos, e terrorismo, para os de origem muçulmana; b) ou fazer programas voltados aos demais imigrantes de mesma nacionalidade, na língua do país de origem, e às vezes bilíngües já que o catalão é uma exigência nos meios públicos da Catalunha. A jornalista chinesa, Tan Hui, por exemplo, produz programa em chinês.
Estes jornalistas compartilham também o desejo de falar de temas locais. Para Claudia Cucchiarato, correspondente do italiano L'Unità, os imigrantes escrevem sobre seus países, mas poderiam tratar questões locais desde perspectivas externas, o que contribuiria para uma produção mais global e diversa.
A jornalista chilena Paula Vivanco falou, ainda, da dificuldade em manter meios para a imigração na Itália, mesmo que alternativos, uma vez que a lei permite apenas aos jornalistas registrados atuar como redatores responsáveis. Tal situação faz com que jornalistas italianos assinem publicações que desconhecem o conteúdo por não dominarem a língua em que está redigido.
.
Angela Zamin, de Barcelona
Marcadores:
Crítica das Práticas Jornalísticas,
Evento
29 junho 2010
Os bastidores da pesquisa
Alunos do Mestrado em Comunicação da Unisinos que fazem parte do Grupo de Pesquisa Estudos em Jornalismo (GPJor) participaram de homenagem ao jornalista Caco Barcellos, no dia 23 de junho, na Casa Cor RS, em Porto Alegre. A atividade foi supervisionada pela Professora Doutora do PPG de Comunicação da Unisinos, Beatriz Marocco, e fez parte do desenvolvimento da pesquisa “O controle discursivo que toma forma e circula nas práticas jornalísticas”, coordenada por Marocco e financiada pelo CNPq.
Na oportunidade, os alunos puderam fazer perguntas e utilizaram recursos audiovisuais para registro da conversa com Caco Barcellos. "O objetivo é ir familiarizando os mestrandos com alguns métodos científicos e com as possíveis formas de aproximação do objeto de pesquisa", destacou Beatriz.
31 maio 2010
Encontro GPJor
A próxima reunião do Grupo de Pesquisa em Jornalismo será no dia 24/06, quinta-feira, às 17 horas, no PPGCOM.
Durante o encontro os mestrandos Felipe de Oliveira e Marlon Lesnieski apresentarão os textos, "La notica como marco" e "Flexibilidad y profesionalismo" do livro de Gaye Tuchman "La producción de la noticia, Barcelona: Gustavo Gili, 1983", páginas 13-27 e 77-94 respectivamente.
Os textos também deverão ser lidos por todos participantes do encontro.
(Aline Weschenfelder)
Durante o encontro os mestrandos Felipe de Oliveira e Marlon Lesnieski apresentarão os textos, "La notica como marco" e "Flexibilidad y profesionalismo" do livro de Gaye Tuchman "La producción de la noticia, Barcelona: Gustavo Gili, 1983", páginas 13-27 e 77-94 respectivamente.
Os textos também deverão ser lidos por todos participantes do encontro.
(Aline Weschenfelder)
21 maio 2010
Desafios da pesquisa em jornalismo
O VIII Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, que acontece de 8 a 10 de novembro, na Universidade Federal do Maranhão, tem como tema central “Desafios da pesquisa em jornalismo: Interdisciplinaridade e transdisciplinaridade”. Promovido pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo - SBPJor, o evento contempla duas modalidades de apresentação de trabalhos: Comunicações Livres ou Comunicações Coordenadas. O prazo para submissão de trabalhos se estende de 1º de junho a 15 de julho, através do site da entidade. Não é necessário pagar inscrição para submeter trabalhos, apenas para apresentá-los, se aprovados, no encontro.
.
(Angela Zamin)
.
(Angela Zamin)
19 maio 2010
Comunicação, Cultura e Cidadania
O Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará (UFC) realizará, de 22 a 24 de setembro, o Seminário Nacional Comunicação, Cultura e Cidadania. Dentre os pesquisadores estarão os professores Bernard Miege, da Universidade Stendhal, e Guilhermo Orozco, da Universidade de Guadalajara. A submissão de trabalhos se encerra em 11 de julho. O evento terá os GTs: Comunicação e Educação; Comunicação, Movimentos Sociais e Cidadania; Comunicação e Novas Tecnologias; Comunicação e Cultura; e Comunicação, Infância e Juventude. Mais informações, aqui.
.
(Angela Zamin)
.
(Angela Zamin)
Assinar:
Postagens (Atom)







