05 Março 2012

Agenda: defesa de teses e dissertações

Já estão agendadas as sessões públicas de defesa de tese e dissertação de alguns integrantes de GPJor - Grupo de Pesquisa Estudos em Jornalismo, conforme segue:
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23 de março de 2012 - 15h - Sala 3A421
Defesa de Dissertação:
Além das mídias. O que os livros revelam sobre as práticas de repórteres internacionais, de Giovanni Rocha
Banca examinadora: Carlos Eduardo Lins da Silva (ESPM/SP), Christa Berger (Unisinos) e Beatriz Marocco (orientadora)
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30 de março de 2012 - 14h
Defesa de Tese:
O discurso sobre aborto em revistas católicas: Rainha e Família Cristã (1980-1990), de Aline Dalmolin
Banca examinadora: Marcia Benetti (UFRGS), Beatriz Marocco (Unisinos), Joana Puntel (Fapcom), Viviane Borelli (UFSM) e Christa Berger (orientadora)
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2 de abril - 14h - Sala 3A421
Radiojornalismo e internet: um estudo da Rádio Catarinense AM da cidade de Joaçaba, de Marlon Lesnieski
Banca examinadora: Evandro Guindani (Unoesc), Ronaldo Henn (Unisinos) e Christa Berger (orientadora)

4 de abril de 2012 - 9h
Defesa de Dissertação: 
Produção da notícia e movimentos sociais: processos de semiose no Jornalismo, de Felipe Moura de Oliveira
Banca examinadora: Aline Maria Grego Lins (Unicap), Christa Berger (Unisinos) e Ronaldo Henn (orientador)
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13 de abril de 2012 - 14h
Defesa de Tese:
Nos jornais, um típico acontecimento atípico: O Caso Angostura em diários latino-americanos de referência, de Angela Zamin
Banca examinadora: Fernando Resende (UFF), Eduardo Meditsch (UFSC), Christa Berger (Unisinos), José Luiz Braga (Unisinos) e Beatriz Marocco (orientadora)

27 Fevereiro 2012

A construção de sentidos sobre a morte: percepções críticas sobre o viver e o morrer em Veja

Com base em uma perspectiva histórica, construcionista e discursiva é possível perceber como a questão da finitude da vida, da morte das pessoas próximas e do próprio morrer vem sendo concebida de diferentes maneiras ao longo de diferentes períodos, e como tal assunto adquire novos tons, se percebido a partir de diferentes contextos.
É partindo desse lugar de fala que Philippe Ariès (2003) ressalta que a morte, encarada em um primeiro momento como algo natural, como um assunto cotidiano e, portanto, comum, passa a corresponder a um tema interditado, proibido, de difícil e indesejável aproximação, sendo, ainda, recalcado, aproximando-se agora de um ponto proposto por Norbert Elias (2001).
Nesse sentido, partindo de uma perspectiva crítica, e ancorando-se, para tanto, em Kant (2008) e Foucault (1990), objetivou-se, tendo como material empírico de análise sete reportagens publicadas em Veja, cujos temas centrais eram a morte de personalidades públicas, empreender um movimento que, nós termos de Foucault (1990, p. 05), permitisse “interrogar a verdade sobre seus efeitos de poder e o poder sobre seus efeitos de verdade”.
O que se apreende, ao final do exercício, é que mesmo em situações em que a morte precisa ser exposta, ser discutida, ser trazida ao público – uma vez que a morte de princesas, de papas, de artistas e de esportistas não pode ser um assunto silenciado – tal questão tende a ser sobrepujada por outras.  Retomando Louis Quéré (2005) pode-se perceber que a morte como acontecimento revela, quando discursivizada, sentidos outros que muitas vezes tornam-se centrais. Dentre eles, principalmente, está a vida e o modo como essas vidas eram vividas e deveriam ter sido vividas.

Referências Bibliográficas
ARIÈS, Philippe. História da morte no ocidente: da idade média aos nossos dias. Rio de Janeiro: Ediouro; 2003.
ELIAS, Norbert. A solidão dos moribundos, seguido de envelhecer e morrer. Rio de Janeiro: Jorge Zahar; 2001.
FOUCAULT, Michel.  O que é a crítica? [Crítica e Aufklãrung]. Bulletin de la Société Française de Philosophie, 82, 2 (avr-juin.), 35-63, (Conferência proferida em 27 de maio de 1978). Gabriela Lafetá Borges (trad.), Wanderson Flor do Nascimento (revisão). 1990. Disponível em: . Acesso em 08/12/11
KANT, Immanuel. Resposta à pergunta o que é iluminismo. In: Kant, Immanuel. A paz perpétua e outros opúsculos. Lisboa, Edições 70, 2008.
QUÈRÈ, Louis. Entre facto e sentido: a dualidade do acontecimento. In: Trajectos, Revista de Comunicação, Cultura e Educação, n 6, 2005.
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(Autor: Felipe Viero Kolinski Machado)

19 Janeiro 2012

O ativismo como reconhecimento do tempo presente: da crítica de mídia à atitude crítica

Atualmente, as redes sociais de internet (RSIs) são consideradas os pontos de partida para a maioria das mobilizações que estão acontecendo. A movimentação em rede e a ação de seus atores nos revelam cada vez mais a liberdade e a velocidade das informações no tempo presente e a conquista de uma atitude crítica, baseada no conhecimento e na reflexão daquilo que é discutido. Dessa forma, a mídia atua como intensificadora dessas ações ativistas e ocupa o papel de legitimadora dos fatos, como sempre fez. No entanto, exemplos recentes resumem o quanto a mídia segue num estado de menoridade, sem reflexão do momento presente e da posição que os ativistas ocupam na sociedade. Darcus Howe em entrevista à BBC de Londres, sobre ação da polícia aos jovens indignados com a situação de repressão na cidade britânica e Gilberta Acselrad, convidada da Globo News, para falar sobre uma pesquisa que divulgava o número de jovens universitários que já fizeram uso de  drogas ilegais, são dois casos que apresentam a mídia fazendo uso de argumentos da ordem do senso comum, em que os jornalistas utilizam um discurso político e dogmático dos grandes poderes. A falta de atitude crítica da mídia nos mostra quanto os ativistas estão colaborando para que a sociedade conquiste seu papel de maioridade. As relações entre liberdade, reflexão, conhecimento e novos espaços de discussão, como a internet, são fundamentais para que as pessoas se tornem sujeitos emancipados, dotados de uma capacidade discursiva fundamentada, que dê origem a uma atitude crítica.

(Autor: Kellen Höehr)

16 Janeiro 2012

Docente e egresso da Unisinos apresentam trabalho na Espanha

A professora Christa Berger e o egresso do PPGCOM da Unisinos, Frederico Tavares estarão de 17 a 21 de janeiro, na cidade de Tarragona, na Espanha, para a apresentação do trabalho "La revista en el centro de una problemática investigativa sobre periodismo y calidad de vida: un estudio sobre Vida Simples", com co-autoria de María Rosa Berganza Conde. Os pesquisadores participam do III Congreso Internacional Asociación Española de Investigación da Comunicación, que tem como tema "Comunicación e risco".

Clique aqui para conferir o link com os resumos dos trabalhos apresentados.
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(Kellen Höehr)

23 Dezembro 2011

Publicações do GPJor no 2º semestre

GPJor divulga a relação de artigos de seus integrantes, docentes e discentes, publicados em revistas científicas da área no 2º semestre deste ano.
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Rumores, ECA-USP
Entrevista jornalística, confissão e as neoconfissões na mídia brasileira, por Beatriz Marocco.
Resumo: Este texto focaliza a entrevista como uma prática jornalística confessional. Tal objeto configura um percurso epistemológico que associa o pensamento foucaultiano sobre a confissão à “neoconfissão”, assim como essa foi descrita por E. Morin (2000). No âmbito discursivo aparecem os papéis e as funções da dupla jornalista/que interroga e fonte/que confessa, como se a fonte estivesse diante de uma autoridade investida para tal fim. Três entrevistas, que formam um pequeno corpus, selecionado a partir do acompanhamento diário de diferentes mídias, provocaram insights úteis, que apresentamos neste artigo, para a constituição de uma tipologia que vem ao encontro dessa relação e nos permite avançar em direção a um rompimento definitivo com o ritual da confissão nos novos ambientes digitais
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Quaderns-e, Institut Catalá d'Antropologia
Linhas paralelas: os negros e os jornais na fotografia do século XIX, por Beatriz Marocco
Resumo: Existe uma coleção de fotografias que ocupa a contracorrente do discurso jornalístico sobre o cotidiano dos negros que viviam em Porto Alegre (Brasil). As cenas organizadas pelos Irmãos Ferrari, Virgílio Calegari e Lunara, entre o final do século XIX e meados do século XX, evidenciam elementos da pobreza em que os negros viviam e que se seguiu ao regime escravocrata: o traje descomposto e gasto que cobria os corpos, os pés invariavelmente descalços, o trabalho infantil ambulante e o ambiente doméstico dos lugares sem urbanização, em que se instalavam irregularmente. Nos jornais a Gazetinha, o Jornal da Tarde e O Independente, de Porto Alegre, os negros são associados à vagabundagem e bem localizados nos lugares “perigosos” da cidade. Há um ponto de tensão entre o que era dito na imprensa e o que foi visibilizado nas fotografias. Os elementos organizados na cena fotográfica possibilitam que se inicie um jogo de visibilidade/invisibilidade entre essas fotografias e os jornais, que produz certa descontinuidade no grande arquivo da época, voltado em sua quase totalidade às paisagens e retratos da burguesia. Antes que houvesse condições técnicas para a reprodução fotográfica na imprensa, os Irmãos Ferrari, Virgílio Calegari e Lunara demonstram uma prática, que se desvia da fotografia documental, em que o fotógrafo se ocupa do reconhecimento do presente que lhe corresponde.
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Galáxia, PUCS-SP
Meios-fonte nas páginas de internacional de O Estado de S. Paulo, por Angela Zamin
Resumo: Na produção jornalística, a objetivação de cada acontecimento envolve um conflito de perspectivas entre jornalistas e fontes pela definição do presente que nos cerca. Estes combates se estabelecem no discursivo, em meio a controles e pressões sociais pelo que dizer e como dizer, sendo conformados no interior de uma rede informativa estabelecida a partir de prioridades sobre as quais se concentram os esforços informativos de cada meio. Este artigo aborda o uso de outros meios (jornais, rádios, TVs) pelo jornal O Estado de S. Paulo como fontes na significação da crise diplomática entre Colômbia e Equador, no período de março de 2008 a agosto de 2009. Orienta-se por um debate acerca das implicações do emprego de meios-fonte na produção jornalística que versa sobre ocorrências internacionais. Para a análise serve de base um corpus de 307 peças da editoria de Internacional.
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Intexto, UFRGS
No jornalismo, entre atualidade e recorrência: um acontecimento de longa duração, por Angela Zamin
Resumo: O texto apresenta um exercício de análise da produção de um acontecimento de longa duração que, por sua presença no tempo, permite observar a atualidade e a recorrência. Trata-se do exame do que foi produzido pelo jornal de referência colombiano El Tiempo, entre março de 2008 e março de 2010, sobre a crise diplomática entre Colômbia e Equador. A análise considera também os campos problemáticos que emergem e o retorno dos quadros de sentidos pelos acontecimentos que se sucedem.
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Estudos em Jornalismo e Mídia, UFSC
“Livros de repórter”, saberes de entremeio: relatos jornalísticos sobre a cobertura de conflitos, por Angela Zamin
Resumo: Um conjunto significativo de livros publicados por repórteres brasileiros descrevem as práticas jornalísticas de cobertura de conflitos. Tais relatos apresentam uma face singular ao serem deslocados do jornalismo periódico para o livro, onde o que é dito não deixa de ser jornalístico, mas adquire outra densidade, entre o que circula nos jornais e os estudos de jornalismo. Estes “livros de repórter”, como são aqui nomeados, ofertam um tipo de relato que se ocupa do jornalismo, para dele elaborar outro relato, desvelando, criticando ou interpretando certos processos e práticas. Os livros que compõem o corpus da presente análise oferecem uma amostragem de acontecimentos cuja ocorrência impôs o embate com a censura ou a restrição no acesso à informação, sendo aqui examinados em sua potencial contribuição como saber sobre as práticas, bem como sobre a relação jornalismo e democracia.
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Discursos Fotográficos, UEL
Fotografias na cidade, imaginários urbanos: um percurso metodológico a partir da experiência com álbuns de família em Porto Alegre Imaginada, por Angela Zamin (em co-autoria com Nara Magalhães, UFRGS;  Lourdes Silva, UFRGS; Marcia Anselmo; e Reges Schwaab, UFOP).
Resumo: Este artigo traz reflexões sobre a processualidade de um estudo realizado a partir de álbuns de famílias de cidadãos negros em Porto Alegre. No contexto da pesquisa Porto Alegre Imaginada, entrevistamos e fotografamos pessoas que se auto-definem como negras, enquanto folheavam seus álbuns. Ao ouvir seus relatos e histórias, procuramos dar visibilidade a uma trajetória de cidadãos e a uma cidade que, na maioria das vezes, permanece desconhecida, tanto na história oficial como nos espaços midiáticos tradicionais. Neste texto, queremos contribuir para a discussão sobre a utilização de fotografias na pesquisa social, bem como sobre as implicações para pensar identidades e racializações na metrópole.
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Verso & Reverso, Unisinos
A contribuição do jornalismo para a reprodução de desigualdades: um estudo etnográfico sobre a produção de notícias, por Marcia Veiga (em co-autoria com Virginia Fonseca, UFRGS)
Resumo: Neste artigo, discutem-se dados de pesquisa realizada com objetivo de compreender a participação do jornalismo na formação de valores que geram estereótipos e desigualdades sociais investigando pistas sobre como estes se constituem ou se transformam. Através do método etnográfico, acompanharam-se durante 11 semanas todas as etapas da produção de notícias de um dos programas jornalísticos da RBS TV, emissora pertencente ao Grupo RBS, maior conglomerado de comunicação do Sul do Brasil. Analisando o cotidiano dos jornalistas, com a atenção para as relações entre eles e para as rotinas produtivas, conclui-se que a heteronormatividade foi um padrão normativo que orientou seus valores pessoais e profissionais nas tomadas de decisão, o que resultou em discursos noticiosos marcados por valores sociais hegemônicos que reforçam hierarquias e desigualdades a partir de alguns marcadores sociais.
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A professora Christa Berger publicou resenha do livro "O poder cultural desconhecido. Fundamentos da ciência dos jornais", de Otto Grot, no v.11, n. 22, da revista Galáxia. Para acessar a resenha, aqui.
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Além de artigos, discentes e docentes, publicaram capítulos em dois livros: Jornalismo e acontecimento: percursos metodológicos (Insular, 2011) e Jornalismo contemporâneo: figurações, impasses e perspectivas (EDUFBA, 2011), publicados no 2º e no 1º semestre, respectivamente.
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Jornalismo e acontecimento: percursos metodológicos (Insular, 2011) 
Acontecimento em rede: crises e processos, por Ronaldo Henn 
As mortes e a morte no jornal. As aparições da morte em ZH, por Beatriz Marocco, no livro 
Trajetória de vida e acontecimento: Simonal na ditadura, por Christa Berger
O acontecimento em processo: a Crítica Genética no estudo da biografia, por Karine Moura Vieira (em co-autoria com Virginia Fonseca, da UFRGS).
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Jornalismo contemporâneo: figurações, impasses e perspectivas (EDUFBA, 2011)
O saber que circula nas redações e os procedimentos de controle discursivo, por Beatriz Marocco
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No 1º semestre deste ano a professora Beatriz Marocco publicou o artigo “Os ‘livros de repórteres, o comentário e as práticas jornalísticas” na edição 22 da revista Contracampo, da Universidade Federal Fluminense. Já o doutorando Luis Fernando Assunção publicou na Acta Científica, Revista Interdisciplinar do Centro Universitário Adventista de São Paulo, o artigo “O processo jornalístico a partir da crítica genética”, na edição 20, de janeiro-abril de 2011.


(Angela Zamin)

11 Dezembro 2011

GPJor na Alaic 2012

A Asociación Latinoamericana de Investigadores en Comunicación (ALAIC) começou a divulgar a relação de trabalhos selecionados para o XI Congreso Latinoamericano de Investigadores de la Comunicación que será realizado no próximo ano, de 27 a 29 de maio, na Universidad de la República, em Montevidéu, Uruguai. O GPJor teve, até o momento, dois trabalhos aceitos: "A reportagem da memória traumática: um exercício de ideias e práticas", da professora Christa Berger, no GT Teoría y Metodología de la Investigación en Comunicación, e "Conflitos sobre o conflito: crise colombo-equatoriana em jornais latino-americanos", da doutoranda Angela Zamin, no GT Estudios sobre Periodismo.
Tendo como tema central "investigação em comunicação na América Latina: interdisciplina, pensamento crítico e compromisso social", o evento reunirá pesquisadores latino-americanos e europeus em 16 Grupos de Trabalhos e três Grupos de Interesse, além de oficinas. O Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da UNISINOS teve 14 trabalhos selecionados para o Congresso.
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(Angela Zamin)

08 Dezembro 2011

GPJor no VIII POSCOM - PUC-RIO

Integrante do GPJor participou de 23 a 25 de novembro do VIII POSCOM - Seminário dos Alunos de Pós-Graduação em Comunicação Social, promovido pelo Programama de Pós-Graduação em Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Na ocasião, o mestrando Felipe Viero apresentou o trabalho "Velhices de Veja: o movimento e a construção de sentidos a partir de duas reportagens", no GT Estudos de Jornalismo.
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Velhices de Veja: o movimento e a construção de sentidos a partir de duas reportagens, por Felipe Viero
Resumo: O presente trabalho tem como objetivo perceber como, a partir de duas reportagens específicas, veiculadas em 1970 e em 2009, a revista semanal Veja constrói e movimenta sentidos sobre a velhice. Teoricamente baseando-se em proposições de Stuart Hall, Irene Machado e Iuri Lotman e metodologicamente em referenciais da Análise de Discurso francesa (AD), foram encontradas duas Formações Discursivas, referentes a duas Formações Ideológicas, constituindo velhices muito diferentes em dois momentos distintos dessa importante publicação nacional. Vale salientar que esse trabalho representa um movimento de aproximação ainda incipiente, o qual contribuirá para o desenvolvimento de nossa dissertação.

01 Dezembro 2011

Oficina de Pesquisa e Seminário de Tese

Os encontros do GPJor deste ano se encerram no dia 13, quando serão realizadas duas atividades: a Oficina de Pesquisa, que consistirá na apresentação e debate das pesquisas dos mestrandos Felipe Viero, João Vitor Santos, Kellen Höehr e Renato Sagrera, que irão qualificar no próximo ano, e a segunda fase do Seminário de Tese do doutorando Luis Fernando Assunção. As atividades serão realizadas na Unisinos, das 14h às 18h.

28 Novembro 2011

Novo volume de Jornalismo e Acontecimento

O livro Jornalismo e acontecimento: percursos metodológicos (Insular, 2011), lançado em novembro, é o segundo produzido no âmbito do convênio de cooperação Procad/CAPES que reúne os programas de pós-graduação em Comunicação da UNISINOS, UFMG, UFRGS e UFSC, por meio do projeto “Tecer: jornalismo e acontecimento”.  O primeiro volume – Jornalismo e acontecimento: mapeamentos críticos (Insular, 2010) – abordou o conceito de acontecimento em perspectiva multidisciplinar para formar uma epistemologia do acontecimento jornalístico. Tratou as teorias sobre a temática do acontecimento, trazendo-as para a reflexão no interior das teorias do jornalismo.
 O segundo volume apresenta um conjunto de percursos metodológicos, refletindo  sobre metodologias de pesquisa. O livro está organizado em duas partes: Proposições críticas, que reúne artigos sobre perspectivas metodológicas; e Acontecimentos em cena, com textos que permitem um contato com implicações, desdobramentos e modos de investigações específicas que derivam da complexa e instigante inter-relação entre jornalismo e acontecimento.
Do GPJor participam do segundo volume de Jornalismo e Acontecimento os professores Beatriz Marocco (As mortes e a morte no jornal. As aparições da morte em ZH), Christa Berger (Trajetória de vida e acontecimento: Simonal na ditadura) e Ronaldo Henn (Acontecimento em rede: crises e processos), além da doutoranda Karine Moura Vieira em artigo em co-autoria com a professora Virginia Pradelina da Silveira Fonseca, da UFRGS (O acontecimento em processo: a Crítica Genética no estudo da biografia).
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(Angela Zamin)

24 Novembro 2011

Homofobia como acontecimento nas redes sociais

Adriana Amaral. Rafael Krambeck e Ronaldo Henn
O professor Ronaldo Henn, integrante do GPJor, participou do painel “Experiências em Mídias e Estudos de Gênero” realizado com o objetivo de apresentar e discutir algumas pesquisas em desenvolvimento sobre temáticas que exploram as relações entre as mídias e os gêneros e sexualidades no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da UNISINOS.
Henn falou sobre o tema “Homofobia como acontecimento nas redes sociais” durante a mesa “Questões LGBT e as Mídias”
Mais sobre a atividade, aqui.
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(Texto: Angela Zamin / Foto: Blog PPGCC)

23 Novembro 2011

GPJor no twitter

A cobertura do 4º Seminário Aberto de Jornalismo, promovido pelo GPJor - Grupo de Pesquisa Estudos em Jornalismo, também pode ser conferida através do twitter do Grupo, aquiOs mestrandos Kellen Höehr e João Vitor Santos foram os responsáveis pela cobertura do evento nesta plataforma.

22 Novembro 2011

Dissecando a entrevista para chegar à prática jornalística

Grupo apresentou vídeo de jornalistas entrevistados
A última mesa do 4º Seminário Aberto de Jornalismo, do GPJor, foi destinada para a professora Beatriz Marocco, do PPGCC/UNISINOS, e sua equipe de pesquisa apresentar detalhes do trabalho O Controle Discursivo que Toma Forma e Circula nas Práticas Jornalísticas. Assim como todo o encontro, parte da pesquisa está centrada na entrevista. É a metodologia empregada que pretende chegar nas práticas do mundo da redação através do discurso. Embora ainda em andamento, já foi possível refletir sobre algumas questões apontadas através dos dados elencados.

Karine Vieira (Unisinos)
Karine Moura Vieira, doutoranda da Unisinos, apresentou um vídeo em que editou trechos de entrevistas realizadas pelo grupo. Mais do que mostrar metodologicamente como opera a entrevista para a pesquisa, o objetivo foi reproduzir trechos dos pensamentos dos jornalistas Caco Barcelo, Alexandra Coelho, Celito de Grandi, Marta Gleich, Eliane Brum, Laurentino Gomes, Liliana Pithan, Núbia Silveira e Ricardo Stefanelli, entrevistados pela pesquisa, sobre trajetória de vida e na redação, ideias sobre jornalismo e reportagem. “Nesse vídeo, podemos ver dois lugares de fala de jornalistas: o repórter que continua repórter e o repórter que se desloca e passa a ser gestor”.

Marcia Veiga (UFRGS)
É a deixa para Marcia Veiga, doutoranda da UFRGS, entrar com suas percepções sobre as vivências pessoais desses profissionais que acabam atravessando a prática. “As experiências das próprias vidas são narradas pelos jornalistas até antes de entrar na profissão”, pontua. É como se as vivências fossem uma espécie de “forja” para esse ser que se põe ao exercício de escutar.  E, além de toda essa experiência de vida e da necessidade de colocar o pé no barro e ir para rua no exercício da prática, os jornalistas destacam a importância da leitura. Claro que leitura, de um modo geral, é sempre vista como importante – e até fundamental – para o desenvolvimento de um jornalista. Mas a leitura de livros de outros jornalistas – os livros de repórteres – ocupa espaço importante no que os profissionais acreditam ser significativo na formação. Isso está também presente na reflexão de Thais Furtado, professora da Unisinos e doutoranda da UFRGS, sobre “como se aprende a ser jornalista”.
Thais Furtado e Beatriz Marocco (Unisinos)
Thais destaca que os jornalistas entrevistados falaram sobre aprender jornalismo na redação – fazendo, portanto – e poucos se referem à faculdade. “Quase todos são críticos com a Universidade e quase nenhum tem relação com a Universidade hoje”. Grande parte dos entrevistados considera a prática, os ensinamentos de outros repórteres, a leitura e a vocação pessoal como fatores importantes na concepção de um bom jornalista.

Como timoneira da pesquisa, Beatriz Marocco demonstra satisfação e entusiasmo com essas primeiras percepções levantadas pela pesquisa. Porém, o que parece empolgá-la ainda mais é o saldo desses dois dias de discussões no Seminário Aberto. Isso porque, além de destacar a importância de voltar o olhar para a prática jornalística, demonstra o papel da entrevista enquanto prática não só profissional, como também de pesquisa. "Descobrimos, todos juntos nesses dois dias, a riqueza da entrevista", comemora Beatriz.


Os trabalhos discutidos no Seminário Aberto irão compor um dos livros que trará resultados da pesquisa coordenada pela professora Beatriz Marocco.
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(Texto: João Vitor Santos)
(Fotos: Beatriz Sallet e Angela Zamin)

Os métodos, estratégias e técnicas no uso e na tessitura da entrevista

Mesa 3: Métodos, estratégias e técnicas
No segundo dia de Seminário Aberto de Jornalismo, promovido pelo GPJor, os trabalhos reiniciaram com a proposta de pensar as técnicas, métodos e estratégias da composição de uma entrevista. Para isso, os painelistas – Elisabeth Torresini (Fapa), Maria Jandyra Cavalcanti Cunha (UNB) e Carla Mühlhaus (jornalista e escritora) – trouxeram suas experiências enquanto entrevistadores ou como pesquisadores que vêem na entrevista um método de trabalho em mesa coordenada pelo professor Ronaldo Henn, integrante do GPJor.

Elizabeth Torresini (Fapa)
Elisabeth Torresini diz que enquanto historiadora nunca estava muito próxima da prática jornalista. Porém, quando se pôs a pensar a partir do uso que faz da entrevista para recompor a história, encontrou semelhança no seu trabalho e no do jornalista. “Todos podem ser historiadores, inclusive o jornalista. A diferença é que o historiador reconta suas narrativas sempre apoiada em referências”, destaca, lembrando que referências são as pistas que descobrem e que provam que aquela história de fato existiu. E vai além. Coloca a entrevista como “a história de um presente”. Isso traz a idéia temporal. O que faz entender porque o historiador usa outros recursos já que “não se tem como entrevistar pessoas do passado”. Manifesta certa admiração pela entrevista. Seja como história ou escritora, essa é uma metodologia presente na sua arte de recontar o passado seja de uma empresa ou de um indivíduo ou comunidade. “A entrevista torna as pessoas agentes da história”.

Maria Jandyra Cunha (UNB)
Maria Jandyra Cunha olha para a entrevista enquanto lingüista. Seu objeto dentro do jornalismo é o que chama de entrevista contada. “O que é diferente da entrevista velada”, definida por ela como aquela em que o jornalista dilui num texto o produto da entrevista. “É interessante ver como os jornalistas narram as entrevistas que fazem”, acrescenta. Quando orienta trabalhos na lingüística, pede que o pesquisador faça a transcrição integral das entrevistas realizadas e as apresente na tese ou dissertação. O que para Jandyra faz os estudos na área de jornalismo perder muito, pois poucos adotam essa prática. São estratégias que considera importantes do ponto de vista metodológica, já que traz a pauta e a entrevista enquanto um processo. Afinal, tema a entrevista “como um gênero textual”. Embora muitas vezes seja pensado como um gênero e acabe servindo a outro.

Carla Mühlhaus
Com um tom de bom humor e com muita franqueza, Carla Mühlhaus lembra que quando começou a trabalhar como jornalista não tinha a menor ideia do que era e como se fazia entrevista. Mais tarde, quando desenvolveu uma pesquisa sobre o assunto imaginou um caminho: “levar a prática para teoria, pensando uma monografia baseada em entrevistas”. Foi o que fez.  Hoje, mesmo distante do trabalho de repórter e como autora de livros, muitos contratados por encomenda, sente-se perto da entrevista como método de recontar histórias. “A entrevista está muito ligada a experiência”. Por isso, fala algo semelhante a Eduardo Veras - que participou da primeira mesa do Seminário: “o entrevistador tem de seduzir o entrevistado e o deixar confiante. Não existe boa entrevista sem a confiança dos dois”. Isso porque acredita que o ato dialógico da entrevista deve acontecer a partir de posturas como a troca e a escuta. E não a tensão da combatividade tão típica aos jornalistas.

Embora cada um tenha sua idéia de entrevista todos a reconhecem como um método. Vêem nela o espaço para construir e desenvolver suas estratégias através de uma técnica que acaba sendo própria de cada um. O que há, ainda, comum a todos é a ideia de que o processo de pensamento e execução da entrevista não podem estar alheio. Isso tanto numa pesquisa como numa reportagem. O que atualiza uma idéia já tratada no Seminário Aberto. Depois dessa terceira mesa, é possível se pensar na validade de outras formas de entrevista, como a via e-mail.  Contanto que isso fique posto e claro na narração que se faz daquela “entrevista”.
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(Texto: João Vitor Santos)
(Fotos: Angela Zamin)

21 Novembro 2011

A entrevista e seus usos: do diálogo às relações de poder

 Miriam Chnaiderman e Daisi Vogel
Se os trabalhos da manhã motivaram reflexões sobre os locais de fala de quem usa a entrevista como instrumento de trabalho – seja no papel de entrevistado ou de entrevistador – a segunda mesa do Seminário Aberto de Jornalismo, promovido pelo GPJor, colocou o uso da entrevista ainda mais no centro do debate. Sob o tema Sujeito da entrevista: diálogo, relação com poder, Daisi Vogel, professora da UFSC, Liliana Sulzback, jornalista e diretora de cinema, Miriam Chnaiderman, psicanalista e documentarista, e Carlos Rafael Guimaraens, jornalista e escritor, trouxeram exemplos da inserção da entrevista em seus trabalhos. Para todos os painelistas, a sua produção se dá a partir de percepções que nascem a partir da entrevista e das relações dicotômicas entre diálogo e poder que se estabelecem nela.
Para a documentarista Miriam Chnaiderman, a “a psicanálise dá instrumentos para o que se passa na entrevista”.  E, em última instância, coloca a entrevista como uma busca à realidade dos fatos. “E é necessário pensarmos a entrevista enquanto algo que circula entre entrevistado e entrevistador”. Isso que circula é a matéria-prima para seus documentários. Só que nem sempre quem questiona e quem é questionado se alinham. É quando surge um detalhe que altera essa configuração: num documentário, é necessária inserção de equipamentos como a câmara. Para Miriam, colocar a maquinaria diante dos dois quebra a hierarquização que possa haver. Estando agenciados pelo maquínico, a circulação se dá em tom maior de igualdade. “A câmara desloca o sujeito-objeto e tira do entrevistador a posição de poder”.
Daisi Vogel (UFSC)
Daisi Vogel expõe que seu objeto de pesquisa foi a entrevista propriamente dita. Mais especificamente as que foram concedidas por Jorge Luis Borges. E para ela, para pensar a entrevista é preciso pensar “o que chamo de troca de turno de falas. No caso da entrevista por e-mail, só de fato se daria se houve um fluxo, interação na troca de mensagens”, acrescenta respondendo ainda uma provocação da primeira mesa. Durante a manhã, foi posto em questão o funcionamento da entrevista por e-mail que, em muitos casos, afasta-se da idéia dialógica e se coloca muito mais como uma produção textual. Assim, Daisi aproxima o conceito de entrevista à idéia de diálogo. Só que ela é ainda mais do que uma conversa. “Uma entrevista tem um fim. Tem seu caráter conversacional, mas se organiza de acordo com a situação e intenção dos envolvidos”.
Rafael Guimaraens
É mais ou menos a mesma linha que o jornalista Carlos Rafael Guimaraens traz na sua participação. Depois de relatar os deslocamentos de lugares de fala que já teve em torno da entrevista, recupera a importância de grandes entrevistas. “Que já tiveram lugar de destaque na imprensa”. E parra isso, exigia-se um esforço e o jornalista tinha de ir ao encontro de entrevistado. Nessa situação, nem se cogitava conversas via telefone, muito menos através de e-mail. “Essa prática (da entrevista escrita por e-mails) pode levar os jornais a um autismo, perdendo completamente o contato com o mundo real”, pontua ao criticar práticas de redações de fazer jornalismo com olhares só para seu interior.
Liliana Sulzback
A tarde encerra com a diretora de cinema Liliana Sulzback que, logo no começo da fala, dispara: “a entrevista não é privilégio do jornalista”. Com isso, quer evidenciar que é a base para o trabalho de vários profissionais. Entre eles, o documentarista. Apesar disso, traz uma tensão interessante. Entende que é preciso pensar um documentário além da narrativa baseada só nas entrevistas. “Não que isso não seja válido, mas precisamos pensar além e fazer esse exercício de colocar imagens nas entrevistas”. O fato de posicionar a entrevista como algo instrumental força uma relação sobre todo o processo de construção a partir da entrevista e não só através dela. Assim, destaca que, para quem quer trabalhar com documentário, o uso da entrevista “não pode ser um ato preguiço”. Ou seja, exige reavaliação e recomposição da narrativa num ritmo que será ditado pelo próprio desenrolar da entrevista.
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(Texto: João Vitor Santos)
(Fotos: Beatriz Sallet)

Entrevista: texto escrito a dois

Mesa 1: Jornalista - entrevistado e entrevistador
Pensar o jornalista enquanto entrevistador, mas também enquanto entrevistado. Essa foi a proposta da primeira mesa de trabalho do 4º Seminário Aberto de Jornalismo, promovido pelo GRupo de Pesquisa Estudos em Jornalismo - GPJOr, que aconteceu ainda na manhã de segunda-feira. Eduardo Veras, da Unisinos, Fábio Pereira, da UNB, Isabel Travancas, da UFRJ, e Maria Jandyra Cavalcante Cunha, da UNB, destacaram o papel da entrevista como ferramenta tanto do jornalista como do pesquisador na sessão coordenada pela professora Christa Berger. Além disso, lembraram que quem pesquisa jornalismo e é jornalista acaba transitando por esses lugares de fala – hora de entrevistado, hora de entrevistador.
Eduardo Veras (Unisinos)
Veras abriu sua fala lembrando situações em que a entrevista naufragou e, se não comprometeu o produto final, ao menos casou grande embaraço entre quem perguntava e quem respondia. Para ele, o entrevistador deve trabalhar sempre com dois princípios: o de que é necessário uma preparação prévia e o de que é preciso ser sincero. “A entrevista é um pacto de confiança e sinceridade passa por isso. É preciso ser sincero até para reconhecer que não se conhece detalhes do trabalho de quem vai entrevistar”. E Veras conclui com a frase que passa a ser acolhida por todos na mesa: “entrevista não é disputa e nem transferência de saber. É um texto que a gente trama a dois”.
Maria Jandyra Cunha (UNB)
Maria Jandyra leva à mesa um texto de Luiz Cláudio Cunha. Sob o título “A entrevista: 1 fundamento, 2 perguntas, 3 condições”, ele apresenta a entrevista como microcosmos do jornalismo. Através das palavras de Cunha, reitera a idéia de que todo o fazer do jornalismo está baseado na entrevista. É a partir dela que se busca a informação. “E não se pode esquecer a contestação. Ela é parte da entrevista”, acrescenta Maria Jandyra.
Fábio Pereira (UNB)
Fabio Pereira traz um pouco de seu método de pesquisa que é baseado na entrevista. Para ele, o pesquisador não pode ver a entrevista em profundidade como o jornalista vê. “Não são aspas que reiteram o que você quer dizer”. Pereira defende uma atenção especial no trato da entrevista, levando em conta posturas e ambientes onde ela se dá. Bem como o tratamento que deve ser dado ao produto dessa entrevista enquanto fonte da pesquisa. “E no curso da entrevista, isso, muitas vezes, é lidar com disputa de poder entre o entrevistado. Principalmente quando ele é jornalista e sabe se colocar na entrevista”.
Isabel Travancas (UFRJ)
A manhã foi encerrada com a fala de Isabel Travancas, professora da UFRJ, e a reflexão de que a entrevista deve ser tida como ferramenta para a fala do outro. Como os demais, acredita que isso se dá a partir de um grande movimento de escuta e observação. “Ás vezes, é preciso perguntar sobre o que já se sabe para descobrir o que não se sabe”. Para ela, o diálogo que se dá – ou não – durante a entrevista é parte dela e tem significação. Sua fala encerra com duas provocações. A primeira diz respeito a pensar o jornalista no tempo. “Às vezes, ele não tem esse tempo de se preparar. Chega para te entrevistar na sétima matéria do dia e nem sabe o que faz ali diante de ti”. A outra provocação é uma proposta de pensar a entrevista mediada por outros suportes, como a internet.
Essa provocação movimentou o auditório. Em meio a quem defenda a primazia do contato visual e dialógico, há quem pense na funcionalidade e, em alguns casos, a necessidade da entrevista via internet, em especial via e-mail. O que fica da provocação é pensar que embora não possa ser descartada, esta não deve ser tomada como prática corrente e única alternativa. Ou seja, a validade deve ser pensada na individualidade de cada um dos casos.

(Texto: João Vitor Santos)
(Fotos: Beatriz Sallet)

Um olhar das práticas através da entrevista

Beatriz Marocco (Unisinos)
O 4º Seminário Aberto de Jornalismo, promovido pelo Grupo de Pesquisa em Jornalismo - GPJor, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos, foi aberto na manhã de hoje com a fala da professora doutora Beatriz Marocco. Além de apresentar um mapa de como será o encontro, destacou que discussões em torno da entrevista serão o norte para os debates. A proposta é olhar as práticas jornalísticas a partir da entrevista. “Pensamos a entrevista como forma de aproximar a prática jornalística”.
Beatriz coordena a pesquisa O controle discursivo que toma forma e circula nas práticas jornalísticas, desenvolvida com financiamento do CNPq. O trabalho tem o olhar voltado para o controle discursivo. E para chegar a ele, foi necessário um movimento em direção aos jornalistas de redação. O primeiro passo foi a aplicação de uma enquete com 49 questões. Para se ter idéia, numa primeira fase, o questionário foi respondido por 57 jornalistas de 49 cidades do Rio Grande do Sul. E, na segunda fase, foi respondido por 73 jornalistas de jornais de referência (ZH, Folha e Estadão).
Num segundo momento, a pesquisa focou na técnica de entrevista em profundidade. Entre 2010 e 2011 foram ouvidos 14 jornalistas, entre eles 10 brasileiros, uma portuguesa e três espanhóis. Muitos mapeados pela enquete ou pela referência do pesquisador. As entrevistas levaram em média uma hora e meia e sempre tendo como apoio o grupo de pesquisa GP Jor. “O que marca bem é que comecei pensando em controle discursivo. E, como jornalista, sempre pensei que somos muito controlados. E com as entrevistas em profundidade fomos vendo que esse controle também corresponde a resistência”, aponta Beatriz.
Angela Zamin (Unisinos)
Em seguida, a doutoranda Angela Zamin apresentou alguns números levantados a partir da enquete. A partir daí, os trabalhos efetivamente foram abertos com a apresentação da primeira mesa. Nela, Eduardo Veras, da Unisinos, Fábio Pereira e Maria Jandyra Cavalcanto Cunha, ambos da UNB, e Isabel Travancas, da UFRJ, falam sobre jornalista enquanto entrevistado e entrevistador.
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(Texto: João Vitor Santos)
(Fotos: Beatriz Sallet)

18 Novembro 2011

A entrevista para o estudo das práticas jornalísticas

(clique para ampliar)
No encerramento da quarta edição do Seminário Aberto de Jornalismo, promovido pelo Grupo de Pesquisa Estudos em Jornalismo – GPJor (PPGCC/Unisinos), a equipe da pesquisa O controle discursivo que toma forma e circula nas práticas jornalísticas, coordenada pela professora Beatriz Marocco, abordará o tema “A entrevista para o estudo das práticas jornalísticas – questões e elaborações de pesquisa”. Participam da atividade as doutorandas Angela Zamin (UNISINOS), Karine Moura Vieira (UNISINOS), Marcia Veiga (UFRGS) e Thaís Furtado (UNISINOS / UFRGS).
O evento acontece na próxima semana, nos dias 21 e 22, das 9h às 17h, na Unisinos São Leopoldo, e tem como tema geral “A entrevista – nas práticas e nos estudos em jornalismo”.
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As inscrições, gratuitas,  se encerram nesta sexta, dia  18,  e podem ser feitas aqui.
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Mais informações sobre o Seminário Aberto de Jornalismo, aqui.
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(Angela Zamin)

11 Novembro 2011

Métodos, estratégias e técnicas

As professoras Elisabeth Torresini, da Faculdade Porto-Alegrense (FAPA), e Maria Jandyra Cavalcanti Cunha, da Universidade de Brasília (UNB), e a jornalista e escritora Carla Mühlhaus, sob mediação do professor Ronaldo Henn, debaterão durante o 4º Seminário Aberto de Jornalismo a temática “Métodos, estratégias e técnicas” a partir do tema geral do evento que é “A entrevista – nas práticas e nos estudos em jornalismo”. Promovido pelo Grupo de Pesquisa Estudos em Jornalismo – GPJor (PPGCC/Unisinos), o evento acontece nos dias 21 e 22 deste mês, das 9h às 17h, na Unisinos, São Leopoldo, e integra as ações da pesquisa O controle discursivo que toma forma e circula nas práticas jornalísticas, coordenada pela professora Beatriz Marocco.
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As inscrições se encerram no dia 18 e podem ser feitas aqui.
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Mais informações sobre o Seminário Aberto de Jornalismo, aqui.
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Saiba mais sobre os palestrantes:
• Carla Mühlhaus - Jornalista e escritora, mestre em comunicação e cultura pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde defendeu dissertação sobre a entrevista jornalística. Atuou como redatora e produtora editorial freelancer para as editoras Aeroplano, Senac Rio, (X) Brasil e Record. Escreve para agências de comunicação e presta assistência editorial. Autora de “Por trás da entrevista” (Record, 2007).
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• Elisabeth Torresini - Doutora em História do Brasil (UFRGS, 2002), professora convidada dos cursos de especialização da FAPA. Atua na Editora Medianiz. Pesquisa a história cultural das editoras, livros e leitura; história empresarial e institucional. É autora, entre outros, de “Editora Globo: uma aventura editorial nos anos 30 e 40” (EDUSP e Editora da UFRGS, 1999) e “História de um sucesso literário: Olhai os lírios do campo de Erico Verissimo” (Literalis, 2003).
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• Maria Jandyra Cavalcanti Cunha - Doutora em Linguística pela Lancaster University, da Inglaterra; mestre em Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina; e licenciada em Letras  pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Realizou estudos de pós-doutorado em Linguística Aplicada na Universidade Estadual de Campinas e em Comunicação na Universidade de Brasília. Lecionou no Instituto de Letras da UnB e na Faculdade de Humanidades e Educação da The West Indies University.  Atualmente é Pesquisadora Plena no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UnB.
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(Angela Zamin)